11 // Distância

1036 Words
"Muitas vezes do inesperado, nasce o que se espera uma vida inteira." Não me lembro de uma ressaca que tenha me deixado com tanta dor de cabeça, como ter passado a noite chorando. O pior de tudo era ter que repassado toda a situação para Valerie que havia ficado inconformada. Quando comecei a contar sobre termos ido ao seu apartamento e termos feito s**o, até então sua fisionomia era a mais engraçada possível. Ela havia gostado do fato de eu ter "conhecido" alguém nessa nível de i********e. Mas quando eu contei sobre tudo ser parte de um plano de Lorenzo para se vingar de mim por algum motivo s*******o, ela ficou raivosa. Talvez da mesma forma que eu ficaria se caso algo assim acontecesse com ela, ou então com minha irmã, por exemplo. "Tenho que levar a minha mãe ao hospital antes do almoço, gostaria de me acompanhar?" Giovani A mensagem de um dos meus chefes me deixou surpresa, por que ele estaria me convidando para algo tão importante em sua vida? Não teria uma pessoa mais íntima dele para acompanhá-lo nisso? "Tudo bem, você me busca ou vou até vocês?" Giullia Giovani prometeu que me buscaria perto das dez horas da manhã, e que era para me preparar para conhecer sua mãe, Donatella. Ele avisou que não estava muito bem, que estava abatida e falava pouco, que m*l estava o olhando nos olhos. Era estranho lidar com alguém que eu não conhecia e que principalmente estava passando por um momento tão delicado. O que falaria? O que faria? Como reagiria? Giovani pediu para tentar ser o mais indiferente possível e não tratá-la diferente por conta da sua condição. Ela detestava ser tratada como se tivessem sentindo pena. — Bom dia. — Saudei ao entrar no banco de trás do carro. Giovani estava forçando um sorriso no banco da frente e respondeu o meu bom dia. Sua mãe por outro lado estava calada. — Espero não estar incomodando você. — Giovani falou. — Não tinha nada para fazer, sem problemas. — Afirmei. A mãe de Giovani ficaria no hospital por algumas horas para realizar diversos exames e não teria direito a acompanhante durante aquelas horas. Portanto, o senhor Riccardo havia chamado Giovani para almoçar em sua casa e ele perguntou se poderia incluir mais um lugar na mesa. Estava envergonhada em chegar ao lado de seu sobrinho, ele era meu chefe, ambos na verdade, mas ele era realmente o dono do restaurante e poderia entender errado a minha presença ali. O senhor Riccardo morava em uma casa grande para alguém que morava sozinho, pelo menos era isso que eu achava. — Eu e minha mãe moramos aqui. — Giovani contou no instante em que caminhávamos até a porta. Ele mexeu na maçaneta e a porta se abriu, mostrando que estava destrancada. Escutei risadas, e assim que nos aproximamos da sala de jantar, os olhares do senhor Riccardo e Lorenzo foram em nossa direção. Lorenzo arqueou as sobrancelhas no instante que nos viu juntos, lado a lado. Tratei de desviar o olhar, era com certeza a última pessoa que pretendia ver tão cedo. — Bom dia querida, você aqui em minha casa? Seja bem vinda. — O senhor Riccardo falou ao se levantar para me abraçar. — Não sabia que estavam juntos. — Não estamos juntos. — Afirmei envergonhada. — Ela é uma amiga e me acompanhou para levar mamãe até o hospital nesta manhã. — Giovani explicou ao se sentar. — Vejo que vocês estão contando muito sobre nossas vidas particulares para uma desconhecida. — Lorenzo falou sarcástico. — Não fale assim Lorenzo, por favor. — Seu pai pediu. Eu não havia perguntado sobre nada na vida deles. Definitivamente nao havia feito perguntas sobre algo tão particular, mas se ambos se sentiram bem em compartilhar algo tão importante comigo, eu levaria as informações de bom grado. A única pessoa que eu tinha ali era Valerie e seria ótimo para mim conhecer novas pessoas e fazer parte da vida de novas pessoas. Sempre gostei de encontros de família, e da sensação calorosa de ter todos por perto. Em Potenza perdemos muito disso, havíamos nos afastado de nossas famílias indo para outra cidade. Agora quanto mais gente eu conhecia, melhor era a sensação. — Tem falado com sua mãe e irmã? — O senhor Riccardo perguntei atencioso. — Fazemos chamadas de vídeo sempre que possível. — Respondi confirmando. — Deve ser difícil ficar tão longe delas. — Giovani falou. Balancei a cabeça positivamente e senti os olhos de Lorenzo em mim. Dessa vez me olhava com dúvidas e curiosidade, talvez interessado na história que tanto o senhor Riccardo, quanto Giovani sabiam. — Na semana que vem começo meu curso para me aperfeiçoar na área. — Expliquei. — E então vou guardar parte do dinheiro que ganhar no restaurante para conseguir trazer mamãe e Tereza para cá. — Realmente tudo está muito caro. — Senhor Riccardo concordou. — Elas irão para o apartamento onde está com sua prima? — Perguntou Giovani curioso. Balancei a cabeça negativamente. Lorenzo continuava a comer e bebericar seu suco, mas estava atento em nossa conversa. — O apartamento em que estamos é pequeno, o ideal é que eu alugue algo maior. — Expliquei. — Além do mais, minha prima está namorando, provavelmente logo irá querer mais privacidade. — Acha que precisará de quantos meses para isso? — Senhor Riccardo perguntou. — Eu estarei pagando parte do meu curso, o aluguel e alguns outros gastos nossos, ou seja, vai demorar bastante tempo para conseguir guardar um valor significativo. — Contei. Giovani prometeu me deixar em casa antes de retornar para o hospital e esperar por sua mãe. Explicou que haviam alguns relatórios e papéis que precisava assinar e resolver lá. Eu aproveitaria as poucas horas que me restavam para descansar antes de ir trabalhar. Havia sido um almoço bacana de certa forma, mesmo que não houvesse conversado com Lorenzo, não termos trocado palavras, apesar de ter me dado certa indireta sobre eu não ser alguém importante para saber tanto sobre suas vidas. A comida estava muito boa também, havia conversado tanto que nem havia tido muito tempo para observar tudo que havia na mesa.
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