Capítulo 29

1324 Words
*Elisa* Jamaica estava evitando Elisa. Ela não precisava ser muito observadora para se dar conta disso, ele era péssimo em inventar desculpas. Durante a semana inteira, toda vez que ela tentava entrar no assunto Dandara, ele se esquivava com desculpas esfarrapadas. A gota d’água foi na sexta, quando ele disse que teria que sair pra “colocar comida pro peixe do Baroni”. Baroni nunca teve peixes, ela sabia disso, ele sabia também. Mas esse era Jamaica tentando arranjar uma desculpa, então ela resolveu cooperar. No fim das contas, não era como se quisesse mesmo dar dicas a ele, por mais que evitasse pensar nos motivos para sua própria relutância. Talvez ela só não gostasse de Dandara e ponto. Bom, parece que Jamaica não era o único a arranjar desculpas ruins. Porém, independente de quem estava ou não dando desculpas, ela já tinha decidido deixar aquele assunto de dicas de namoro para trás. E foi exatamente nesse momento, que Jamaica de repente decidiu ouvir os conselhos amorosos. Maravilha. — Então, por onde você acha que eu tenho que começar? — ele concluiu, depois de explicar que agora era uma boa hora para investir em Dandara — Mas pega leve, a gente tem que começar com algo fácil. Ela piscou para ele. Era como se sua mente estivesse passando por uma pequena pane. Por quê mesmo sugeriu ajudá-lo com aquilo? — Ah, que tal começar chamando ela pra sair? — assim que fechou a boca, sentiu vontade de revirar os olhos para si mesma. Que grande conselho, senhorita óbvia. — E pra onde eu levo ela? — ele passou a mão no rosto, a tatuagem de rosa no dorso da mão esquerda se destacando com o movimento. Bom, parecia que ele realmente estava nervoso com a perspectiva do encontro com Dandara, não que isso fosse uma informação relevante, é só que... Elisa nunca tinha visto Jamaica nervoso por uma garota. Nunca. A menos que se levasse em conta o nervosismo que ela ainda podia jurar que ele sentia no dia em que a pediu em namoro para agradar seu irmão. Pensando por esse lado, no fim das contas, o nervosismo dele nem valia tanto assim. — Você sabe de alguma coisa que ela goste de fazer? — Lis voltou a se concentrar no que realmente importava naquele momento. O olhar de Jamaica focou a parede atrás dela, as sobrancelhas se franziram. — Ir para a igreja? Ela esperou que ele dissesse mais alguma coisa, quando isso não aconteceu, suspirou. Teriam um trabalho muito, muito longo. — Ok, acho que um encontro na igreja não é uma possibilidade — ela caminhou até o sofá. Se ia mesmo levar aquela coisa de ajuda a sério, era melhor se sentar, porque se dependesse do jeito de Jamaica com a coisa, o processo realmente demoraria. — Ah, ela gosta de ir na pracinha — ele se jogou ao seu lado no sofá — Ficou felizona no dia que a gente foi com a Bea. — Quer mesmo levar ela na pracinha? Com todos os fofoqueiros do morro observando e cochichando? — Não tinha pensando por esse lado — ele se encostou no sofá. Elisa sorriu. — É claro que não, é por isso que eu sou o cérebro dessa operação, você só coloca os planos em prática — Parece que colocar planos em prática virou minha especialidade — ele murmurou, deixando a cabeça descansar no encosto do sofá e fechando os olhos — Então, qual é o plano, cérebro? — Que tal um passeio na praia? — ela sugeriu depois de um tempo. Por mais que não fosse uma fã do time Dandara, costumava dar o seu melhor em qualquer coisa que se dispunha a fazer, não seria diferente daquela vez — Se vocês forem em uma tarde no meio da semana, não vai tá cheio de gente. Vocês podem dar uma volta, comer alguma coisa em um dos quiosques e... Bom, é isso. Era uma boa ideia, o tipo de coisa que a própria Elisa adoraria fazer. Talvez ela devesse arranjar encontros mais descentes, não se lembrava de alguma vez ter sido levada a um encontro na praia ou em qualquer lugar parecido. — Beleza, que dia a gente pode ir testar? — Testar o quê? — ela se virou no sofá para encará-lo, deixando de lado os lamentos sobre sua vida amorosa nada romântica. — O encontro. Você é ou não é minha cupida? — Sou — arrastou a palavra, ainda tentando entender do que ele estava falando — e já fiz meu papel, te dei a dica... — Qual é, Lizzie, sabe qual foi a última vez que eu levei uma mina pra passear na praia? — pausa dramática enquanto ele a olhava como se aquela fosse a pergunta mais crucial do universo — Nunca. Nem sei sobre o quê se conversa em um encontro desses. Fora que com a Dandara vai ter que ser só conversa, porque eu vou respeitar todos os limites dela. Lis se ajeitou no sofá mais uma vez, mesmo sem precisar, apenas tinha que dá alguma vasão ao incômodo nos seus membros. Ela havia esquecido como era lidar e ser neutra ao fato de Jamaica ser um perfeito cavalheiro. — Eu acredito no seu potencial... — Por favor, Lizzie, isso é importante para mim. E pelo modo como ele falou, pelo modo como ele a olhou nos olhos enquanto dizia, ela soube que era realmente importante. Elisa engoliu a pontada de sabe-se lá o quê que a atingiu com aquela conclusão e se forçou a revirar os olhos. — Eu devia ser paga por isso — disse, cedendo, porque talvez fosse uma masoquista e quisesse afundar cada vez mais nessa coisa de ajudar ele, apenas para sentir mais e mais daquele incômodo no seu peito. Apenas para provar de uma vez por todas a si mesma que não se importava. — Você é demais — ele segurou o rosto dela entre as mãos e estalou um beijo na sua bochecha — Qual horário você acha melhor pra um passeio na praia? Lis suspirou. — Você não faz mesmo ideia do que está fazendo, né? — ela se levantou do sofá — As quatro da tarde, assim o calor está mais ameno e dá pra esperar o pôr do sol. — Dica anotada. Eu e você, amanhã às quatro da tarde na praia — ele piscou para ela, Elisa revirou os olhos — E temos que agir como se fosse pra valer... — Acho que você está exagerando — ela tentou intervir, mas ele continuou a fala, a ignorando totalmente: — ...Então eu te busco na sua casa três e meia... — Esse horário eu ainda estou com a Bea, aqui. — Então eu te busco aqui as três e meia — mais uma piscadela animada demais. — E a Bea? — Vou pedir a Índia para ficar com ela — ele parecia tão despreocupado. Mas talvez a questão fosse: por que de repente Elisa estava preocupada com a ideia de sair com ele? Não que fosse sair com ele. Ia servir de cobaia para prepará-lo para um encontro com a provável futura namorada dele. Não que isso importasse. Mas quem sabe... Viu só? Estava racionalizando demais aquela história. Pelo amor, não era nada demais. Ia ajudar Jamaica a conquistar uma garota, já tinha feito aquilo dezenas de vezes no passado. E sabia muito bem como tinha se sentido nas últimas vezes que precisou fazer, sua mente rebateu, mas ela ignorou. Não havia um termo de comparação entre quem ela era agora e a Elisa do passado que se incomodava em juntar Jamaica com outras garotas. Não havia nada em comum entre elas. E ponto. — Beleza, combinado às três e meia — ela murmurou. E antes que Jamaica abrisse a boca para pedir mais dicas ou qualquer outra coisa, ela saiu da sala e foi ver Bea.
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