Ela disse,pinte o seu rosto e ponha um sorriso nele,esconda a dor e não deixe ninguém ver por debaixo das cortinas. Foi o que ela disse.
Nunca fui de sair para festas e ficar bêbada e me entupir de drogas como minhas queridas amigas,mas hoje eu não quero estar apenas atraente eu quero estar no ápice para usufruir da minha liberdade enquanto eu a tenho.
Meu celular apita e no ecrã uma mensagem de Sarah dizendo "estou aqui embaixo,vem logo!" Me apresso em por meu celular, dinheiro e minha identidade na minha bolsa. Me olho no espelho e vejo o que uma boa maquiagem pode fazer. Estou em um vestido preto com decote em V, solto e curto,a idéia é me sentir poderosa e isso eu consegui. Fiz uma maquiagem caprichada, com direito a batom vermelho e um bom delineado! E pra fechar com chave de ouro,meu melhor perfume!
Eh, acho que agora estou pronta!
Saio do meu quarto e me direciono para o primeiro andar,e vou em direção a porta.
-Onde pensa que vai? E que merda de roupa é essa? - aquela voz,rouca e sensual,me faz estremecer. Me viro em sua direção e seus olhos estão atentos e vorazes, me medindo dos pés a cabeça.
-Christian,eu vou sair com a minha amiga,ela tá esperando lá fora - explico,mesmo que eu não tenha uma real necessidade disso, afinal, ele não passa do noivo da minha mãe.
-Onde vocês vão?
Quem ele pensa que é? O meu pai? Por que ele acha que tem algum direito aqui?
-Olha,com todo o respeito,não é da sua conta - dei um passo atrás,me deixando mais próxima a saída.
- Eu não sairia se fosse você - me ameaçando? Quem esse cara é? Que maluco minha mãe pôs dentro de casa?
-Ou o que?
Eu recebi silêncio em vez de uma resposta. Ele não pode me parar, e muito menos mandar em mim. Eu tenho o poder sobre meu corpo e sobre minhas ações e eu tô pouco me importando para o que Christian vai pensar.
Eu só segui meu caminho,esperando alguma objeção,mas ela não veio.
-Ai amiga! Que demora!
-Desculpe,mas já estou aqui e estou doida,na verdade sedenta por diversão!
Sarah tem alma de líder de torcida,ela é animada e divertida e encadeia amor próprio,ela é o tipo de menina que nasce sabendo o que quer ser.
-Aonde vamos?
-Surprise baby!
Às vezes,só o que nos resta é arriscar,é se submeter ao estremo para encontrar algo,para ter algo,mas o que? O que me espera quando voltar para casa? Meu estômago embrulha so de pensar.
O álcool exala pelo meu corpo,as batidas da música que toca me faz querer dançar,mas eu já não estou dançando?Sim, eu estou na pista repleta de gente vazia,mas eu não sou tão diferente deles,não sou?
-Katy,acho que você já bebeu demais! - diz Sarah.
-Estou bem, eu só quero dançar e dançar!
Tento encaixar meus movimentos com as batidas da música,me perco em cada nota,minha mente se vai,enrolada e enfeitiçada pelo som inebriante que está sendo tocado.
Eu senti ele tocar em minha perna,subir com suas mãos em meu quadril,passando pela minha b***a, eu o vi,mas não era quem eu queria...
-Ai não faz isso! Não quero dançar com você!
-Vamos gatinha,você vai gostar! - ele se aproxima de mim o bastante para eu sentir seu m****o contra minha coxa.
-Me larga seu nojento! - tento o empurrar,tento afasta -lo,mas ele é mais forte.
Não tem ninguém vendo isso? Caramba. Quantos estão ao meu redor,quando se importam?
-Ei,i****a! - meu intruso foi puxado para longe como um passe de mágica.
Dizem que toda princesa tem seu cavalheiro de armadura reluzente, mas eu não sou uma princesa. O intruso está sendo espancado por um cavalheiro desconhecido. Eu deveria ficar grata,mas até para alguém que não está sóbria,tenho certeza que não devo me meter com ele.
Separaram o cavalheiro e o intruso e nesse meio tempo aprendi novos palavrões.
O cavalheiro na armadura nem um pouco reluzente se aproxima de mim. O intruso é arrastado pelos seguranças para fora da boate e eu só queria estar indo para casa.
- Você está bem?
-Sim, obrigada por me defender!
-Eu não permito esse tipo de atitude,perco a linha quando isso acontece!
-É,eu percebi!
-Te assustei? - seu sorriso devia ser pintado e exibido no louvre de tão belo que é.
-Nao, só não é um situação agradável!
-Mas se não tivesse acontecido você não teria me conhecido!
-Hum,e por que isso seria tão agradável?
Ele sorri e se aproxima mais ainda de mim. Eu quero me afastar,meu corpo grita por isso,mas eu quero saber o que vai acontecer.
-Se você não parecesse um linda garotinha...
-Linda sim, garotinha,não mais... - ele aproxima seu rosto do meu,ele segura meu queixo com a e sela nossos lábios em um rápido beijo.
-Hoje não,quando acontecer,eu quero que se lembre!
Ele se afasta e some em meio a multidão. Eu gostaria de dizer que esse clima cheio de t***o e luxúria me arrancaram do belo Christian,mas eu só queria que ele estivesse aqui,eu quero que ele me abrace e diga que tudo vai ficar bem. Eu quero que ele seja meu cavaleiro de armadura reluzente. E o quando estúpida eu sou por pensar nele, naquele maluco, em um momento como esse?
Eu não posso e não quero estar tendo um crush pelo meu padrasto,eu me recuso. É imundo e imaturo da minha parte! Terei que matar esse sentimento,nem que seja a base da porrada.
Pego meu celular de dentro da bolsa e verifico as horas,são duas da manhã,que bom que minha mãe não se importa. Entro em casa e fecho a porta.
Meu braço é fortemente apertado e eu sou puxada pela escada acima. O que Christian está fazendo?
Ele abre a porta do meu quarto e me joga para dentro dele,a porta é fechada nos trancando juntos.
-O que pensa que está fazendo, Christian?!
-Cuidando de você! Você é tão infantil e sua mãe parece não dá a mínima para isso! São duas horas da manhã Katherine!
-O que você tem haver com isso?Você vai se casar com ela mais isso não te faz meu pai! Se toca Christian!
Ele se aproxima de mim e sua mão vai ao meu cabelo,minha cabeça é puxada para trás por uma das mãos enquanto a outra me mantém colada nele.Me sinto exposta,me sinto excitada e apavorada.
-Voce merecia ser castigada - muito perto,sinto o vapor quente de sua boca contra meu rosto,seu hálito,sua boca.
-Então, não devo chamá-lo de Christian, já que vai ser meu carcereiro, Sr. Ferrari!
-Menina,você não sabe o que está fazendo - tão perto,mas tão,tão perto.
-Eu me pergunto o que você está fazendo, - enguli em seco - o que quer?
Ele se senta em minha cadeira da minha penteadeira e me arrasta junto,me deitando sobre seus joelhos. O que ele vai fazer? Eu devia pedir para ele parar,mas eu não consigo.
Ele sobe a saia do meu vestido e passa sua mão sobre a minha pele nua .
- Você vai fazer o que eu peço,se não... - minha pele queimou, o ardor me fez lacrimejar. Mais uma, o estalo é o único som que eu escuto além da minha respiração ofegante. O terceiro pareceu rasgar a pele, me tirando um grito,que logo calei. Outro, depois outro, outro...até que eu achei que não sentaria amanhã sem fazer caretas
Sinto meu vestido deslizar pela minha coxa e suas mãos segurarem meu cabelo.
-Levante,mas se mantenha de joelhos. - fiz o que ele mandou e o encarei com meu rosto vermelho e molhado. Seus polegares enxugam minhas lágrimas.
-Voce não podia ter feito isso - falei o mais firme que pude - ,o que diabos você fez?
-Cuidei de você - ele soou sincero.
-Isso não é cuidar Christian - rebati.
-Nao?
Olhei para ele perplexa. O que se passa na cabeça dele? Ele vai ser esse tipo de padastro? Será que ele vai bater na minha mãe?
-Voce já machucou a minha mãe?
-Eu nunca toquei em um fio de cabelo da sua mãe.
-Entao por que? Por que quis me castigar?
-Para que você entenda, você não deve ficar fora de casa até tarde da noite,não deve beber e muito menos deixar alguém tocar em você ,está me entendendo?
-Como é que é?
-Dessa vez foram apenas palmadas,não vai querer me ver mais irritado,não é Katy?
-E tem como ficar mais? - ele sorriu e eu me repreendo por amolecer vendo ele sorrir - Christian? - falei um tom mais alto.
-Sim,Katy?
-Eu sou de maior,eu posso e vou fazer o que eu quiser,e não é só porque eu gos - ops...essa palavra não! - tenho respeito por você,não significa que eu irei lhe obedecer!
- Entenda, - ele se inclinou em minha direção e os dedos tocaram meus lábios levemente - se você me desobedecer vai arcar com as consequências! - Pode se levantar - ele se levanta da cadeira e me estende a mão, eu a seguro como apoio.
Ele me dá as costas e caminha até a porta.
-Tenha bons sonhos,Katy.
Ele sai me deixando sozinha,dolorida e com muitas perguntas.
Por que ele fez isso? Foi imoral,e uma traição. Eu nunca pensei que ele agiria assim. Afinal, porque ele me bateu? Ele voltaria a fazer? Muitas perguntas para respostas que somente ele pode me responder.