CAP 6 - ENTRE LINHAS E COSTURAS
O que tá bom e tem que ficar:
Você mostra que a Lari é trabalhadora, costureira no Bom Retiro, gosta de ter dinheiro próprio, não estende mão pra ninguém. Isso faz a leitora torcer por você.
Carla e Júlia do asfalto são boas, mostra que você tem vida fora do morro.
Seu Alberto elogiando "essa peça tá perfeita" é ótimo pra mostrar que você é boa no que faz.
O que tá matando sua retenção aqui:
Cap 6 inteiro sem Rafael e sem Bia. A leitora salvou seu livro por causa do dono da Boca e da irmã drogada devendo 80 mil. Se no Cap 6 ela só lê sobre máquina de costura, pedal e Seu Alberto, ela fecha o app e vai pro livro da concorrente que já tá no beijo.
Zero pressão da dívida. Você fala "preciso juntar dinheiro" mas não mostra a conta. A leitora precisa sentir o desespero: salário de confecção = 1.800, dívida = 80 mil, 30 dias. Impossível.
Você termina falando "longe de Rafael, longe da Boca". No Dreame, no Cap 6 a mocinha já tem que estar DENTRO da Boca contando dinheiro dele, não longe.
Como seu Cap 6 tem que ficar pra voltar pra 70% e casar com 1, 2, 3, 4 e 5:
Cap 1: Você consegue 30 dias
Cap 2: Rafael fala "vai ser minha"
Cap 3: Você já tá trabalhando na Boca
Cap 4: Bia surta de ciúme e é humilhada no baile
Cap 5: Manu descobre que você virou da Boca
Cap 6: Você tem que estar dividida entre as linhas da confecção e as linhas do caderno da Boca
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CAPÍTULO 6 - REESCRITO - ENTRE LINHAS E COSTURAS - VERSÃO DREAME
Larissa.
Eu gosto de trabalhar. Parece estranho quando o despertador toca antes do sol e meus pés já doem, mas gosto. Gosto de ter meu dinheiro, de não estender mão pra ninguém.
A confecção no Bom Retiro, rua movimentada, cheiro de tecido novo, café e máquinas. Bati o cartão.
Celular vibrou.
Manu: "Cheguei em casa viva."
Manu: "A Tia Lu perguntou se você vai lá hoje. Tem histórias novas sobre mim."
Ri.
Carla, do asfalto, minha amiga do trabalho, com caneca de café: "Até que enfim!"
Larissa: "Cheguei dois minutos antes."
Carla: "Atrasada pros meus padrões. Você é exigente."
Larissa: "Você que gasta demais."
Carla: "Eu chamo de investimento emocional. Em roupa."
Júlia apareceu: "Vocês viram o chefe?"
Passos no corredor.
Seu Alberto, meu chefe que parece que nasceu reclamando.
Seu Alberto: "Quero produção alta hoje."
Sentamos nas máquinas. O som ficou constante, tecido passando nas mãos. Por alguns minutos o mundo era simples. Eu tinha trabalho, salário, casa, mãe. Problemas que eu entendia.
Até lembrar dos 80 mil da Bia drogada.
Meu pé desacelerou no pedal. A máquina parou.
Carla: "Lari? Tá tudo bem?"
Larissa: "Tô."
Carla: "Você faz uma cara horrível quando mente."
Não queria contar. Não queria levar a dívida da minha irmã drogada pro trabalho. Voltei a costurar. Costura torta estraga peça inteira. Pequeno erro vira grande problema. Minha mãe falava que eu tinha paciência. Eu chamava de necessidade.
Seu Alberto voltou, segurando uma blusa que eu fiz.
Seu Alberto: "Essa peça. Tá perfeita. Continue assim."
Carla e Júlia arregalaram os olhos. Seu Alberto nunca elogiava.
Carla: "Vou anotar a data."
Rimos. Pela primeira vez na manhã esqueci a dívida.
Na hora do almoço, Bom Retiro intenso, cheiro de comida.
Carla: "Você vai no baile hoje? Quarta-feira tem bailinho."
Larissa: "Eu tenho que sobreviver. E juntar 80 mil em 30 dias."
Falei baixo, mas Carla ouviu.
Carla: "O quê? 80 mil?"
Olhei pro céu. Sol baixando. Expediente acabando, pés doendo.
Bati o cartão e peguei o caminho de volta pro morro. Enquanto caminhava fiz a conta que tava fugindo o dia inteiro.
Salário da confecção: 1.800. Se eu não comesse, não pagasse luz, não ajudasse minha mãe, em 30 dias eu junto 1.800. Faltam 78.200.
Impossível.
Impossível pagar dívida de drogada que vendeu na Vila Nova com salário de costureira.
Quando cheguei na viela, dois homens da Boca já tavam me esperando na porta da minha casa.
Homem: "Rafa mandou te buscar. Você tem que contar hoje. Todo dia depois do asfalto, lembra? De dia costureira, de noite contadora da Boca dele. Minha e de mais ninguém."
Meu estômago gelou. Eu tinha falado de manhã que queria ficar longe da Boca, longe do Rafael.
Mas eu tinha assinado sem assinar.
Trinta dias sendo dele. E hoje era o dia 2.
Subi pra Boca com eles. Coração na garganta. Ventilador velho, cheiro de cigarro. E ele sentado, me esperando, com um caderno aberto cheio de dinheiro.
Rafael me olhou de cima a baixo, parou na minha boca carnuda.
Rafael: "Demorou, costureira. Achei que tinha fugido com o dinheiro da sua irmã drogada."
Larissa: "Eu não fujo."
Rafael sorriu daquele jeito que me dá pavor.
Rafael: "Eu sei. Por isso você vai ser minha contadora. Senta aqui. Perto de mim. E conta."
E eu sentei. Porque eu precisava dos 80 mil. E porque, mesmo com medo, uma parte de mim queria ficar perto dele.
NOTA DA AUTORA
Meninas, vocês fariam o que a Lari tá fazendo? Trabalhar de dia na confecção e de noite na Boca do Rafael pra pagar 80 mil da irmã drogada? Comenta! E me segue