CAPÍTULO 28 — O RETORNO AO ERRO
Bia
O peito ainda queimava com as palavras que a Larissa me jogou ontem à noite. Ela tava certa, eu sabia. Ver minha irmã se esfolar na confecção o dia inteiro e ainda subir pra biqueira pagar dívida que EU fiz era faca no estômago. Mas o que mais me corroía, além da culpa, era uma mistura feia de curiosidade e um ciúme doentio que começou a me consumir desde que a Lari virou a "contadora" particular do Rafael.
Todo dia ela subia lá. Horas trancada com o homem mais temido do morro. Rafael era frio, implacável, mas tinha presença que chamava atenção de qualquer garota. Pensar na minha irmã, cansada daquele jeito, dividindo atenção com ele toda noite, acendia pavio perigoso na minha cabeça.
Eu não aguentava ficar em casa com culpa inútil. Na cabeça tonta, precisava consertar do meu jeito.
Na tarde seguinte, aproveitei que a Larissa já tinha saído pro Bom Retiro e que minha mãe dormia no quarto. Jaqueta jeans por cima da blusa, cabelo preso de qualquer jeito e subi o morro. Não era coragem, era desespero.
Quando cheguei perto do galpão, os vapores da segurança me olharam na mesma hora. Mexerico da comunidade já espalhou quem eu era: a irmã irresponsável.
— Olha só quem deu as caras... a criadora de problema — um deles riu de canto. — Patrão não tá pra gracinha hoje pra receber visita de caloteira. Melhor dar o fora antes que o Leão te veja. Ou a Vila Nova.
Tremi na hora que ele falou Vila Nova. Quase desci correndo. Mas ergui queixo pra disfarçar perna tremendo.
— Eu não vim falar com Leão, quero falar direto com Rafael. É sobre a dívida. Eu resolvo.
Antes que me barrassem a empurrões, porta do escritório abriu com tranco. Leão cabeça pra fora, testa franzida.
Leão: — Que barulheira é essa na...
Parou quando me viu. Cenho fechou em carranca feia.
Leão: — Ah, a irmã da contadora. A coragem de vocês duas tá passando dos limites. O que cê quer aqui? Veio trazer mais prejuízo? Sua irmã já tá pagando subindo ladeira 10 da noite, você quer o quê?
Voz grossa do Rafael ecoou de dentro, cortando discussão antes de Leão me expulsar à força.
Rafael: — Deixa ela entrar, Leão. Cinco minutos.
Coração disparou na boca. Engoli seco, empurrei vapores e entrei no escritório, cheiro pesado de fumo e peso daquele olhar escuro caindo sobre mim.
Rafael tava sentado na cadeira da Larissa. Na CADEIRA DELA. Com os cadernos dela em cima da mesa fechados.
Rafael me olhou de cima a baixo, sem disfarçar nojo.
Rafael: — Cê tem 3 minutos pra falar antes de eu mandar te descerem a ladeira de novo. E se for pra pedir pra voltar pro lugar da tua irmã, a resposta é não. Lugar dela aqui ninguém toma. Principalmente você.
Senti o chão sumir. Não era ciúme que eu tinha que sentir. Era medo. Porque naquela hora entendi: minha irmã não tava presa com bandido. Ela tava protegida por ele. E eu tava do lado de fora dos dois.
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NOTA DA AUTORA:
MEU DEUS, BIA! 😱 Quem mais ficou com raiva dela subindo lá? Ou com pena?
O Rafael chamou a cadeira da Lari de LUGAR DELA e que ninguém toma! Vocês tão prontas pro 29? Porque a Larissa vai descobrir que a irmã foi lá no horário dela e...
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