A verdade que ele escolheu

1218 Words
📖 PODER SEM DONO Capítulo 13 — A Verdade Que Ele Escondeu Alguns meses antes... Naquela época, o castelo ainda era silencioso. Veyra caminhava pelos jardins ao lado de Kaelen. Ela ria de alguma coisa que ele havia dito, enquanto segurava uma pequena flor entre os dedos. — Você nunca sorri. Kaelen olhou para ela. — Eu sorrio. — Não. Veyra aproximou-se dele. — Isso não é um sorriso. Ela imitou uma expressão séria. Kaelen ficou olhando para ela por alguns segundos. Então, contra a própria v*****e, sorriu. Veyra abriu um enorme sorriso. — Viu? — O quê? — Você consegue. Kaelen balançou a cabeça. — Você é insistente. — E você gosta. Ele não respondeu. Mas continuou caminhando ao lado dela. Naquele período, tudo parecia perfeito. Veyra vivia no castelo. Kaelen cuidava dela. Ela treinava seu poder. Os dois passavam horas conversando. Ela acreditava que aquilo duraria para sempre. Mas Kaelen já sabia que alguma coisa estava errada. --- Naquela noite, Kaelen estava sozinho em sua biblioteca. Sobre a mesa havia vários livros antigos. Livros que ninguém além dele podia abrir. Ele folheou um deles. Parou em uma página. Ali havia um desenho. Uma criatura pequena. Uma súcubo. Ao redor dela havia símbolos dourados. Kaelen passou os dedos pela imagem. — n******e ser... A porta abriu. Um guardião entrou. — Meu senhor. Kaelen levantou os olhos. — Fale. — Encontramos mais uma marca. — Onde? — Nas montanhas do norte. Kaelen ficou imóvel. — A mesma? — Sim. O guardião colocou uma pedra sobre a mesa. Havia um símbolo gravado nela. Kaelen reconheceu imediatamente. Era o mesmo símbolo que aparecera anos antes. O símbolo dos Guardiões do Primeiro Sangue. — Eles estão acordando. — Sim. Kaelen fechou o livro. — E sabem dela? O guardião hesitou. — Acreditamos que sim. Kaelen permaneceu em silêncio. Então perguntou: — Quanto tempo? — Não sabemos. O guardião saiu. Kaelen ficou sozinho. Seu olhar voltou para a imagem da pequena súcubo. Aquela imagem não era uma lenda. Era uma previsão. E a previsão dizia que, quando aquela criança despertasse completamente... o mundo mudaria. Mas havia algo pior. Ao lado do desenho estava uma frase antiga. Kaelen havia lido aquela frase centenas de vezes. Agora, finalmente, entendia seu significado. "Quando a filha do poder despertar, o primeiro entre os seres será obrigado a escolher entre o mundo e aquela que ama." Kaelen fechou o livro com força. — Não. --- Naquela mesma noite, Veyra dormia tranquilamente. Kaelen entrou no quarto. Ficou parado ao lado da cama. Observou-a dormir. Ela parecia completamente tranquila. Sem saber de nada. Sem saber que havia pessoas procurando por ela. Sem saber que seu poder poderia destruir reinos. Sem saber que Kaelen estava começando a ter medo. Ele sentou-se ao lado dela. Passou a mão pelos cabelos dela. Veyra abriu os olhos. — Kaelen? — Dorme. Ela sorriu. — Você está aqui. — Estou. Veyra fechou os olhos novamente. — Não vai embora. Kaelen ficou imóvel. — Não vou. Mas sabia que estava mentindo. --- Nos dias seguintes, Kaelen começou a ficar distante. Veyra percebeu. — Está acontecendo alguma coisa? — Não. — Você está diferente. — Apenas estou ocupado. Ela não acreditou. — Você nunca fica assim comigo. Kaelen desviou o olhar. — Veyra... — O quê? Ele quase contou. Quase. Mas não conseguiu. Porque sabia que, se contasse, ela tentaria ajudá-lo. E ele não permitiria que ela enfrentasse aquilo. --- Então aconteceu. Veyra perdeu o controle durante um treinamento. Uma pequena explosão de energia atingiu as montanhas. A força foi tão grande que o chão tremeu a quilômetros de distância. Kaelen chegou imediatamente. Encontrou Veyra ajoelhada. Ela estava assustada. — Kaelen... Ele se aproximou. — Você está ferida? — Não. — Tem certeza? — Sim. Kaelen olhou para as montanhas destruídas. Seu coração apertou. Aquilo confirmava seus maiores temores. O poder estava crescendo rápido demais. E os Guardiões perceberiam. Naquela noite, Kaelen tomou sua decisão. --- Veyra estava no salão principal quando ele entrou. Ela sorriu. — Você voltou. Kaelen não respondeu. Ela percebeu imediatamente que havia alguma coisa errada. — Kaelen? Ele caminhou até ela. Seu rosto estava completamente sério. — Veyra, você precisa sair do castelo. Ela ficou imóvel. — O quê? — Você precisa partir. — Por quê? — Porque eu decidi. — Isso não é resposta. Kaelen respirou fundo. — Não posso mais manter você aqui. — Você prometeu que eu estaria segura. — Eu sei. — Então me explica. Ele permaneceu em silêncio. Veyra começou a ficar desesperada. — O que eu fiz? — Nada. — Então por que está me mandando embora? Kaelen fechou os olhos. — Porque eu amo você. Ela ficou confusa. — Isso não faz sentido. — Eu sei. — Se me ama, por que está fazendo isso? Kaelen olhou para ela. — Porque se você continuar aqui, eles vão encontrar você. — Quem? Ele não respondeu. — Kaelen! — Não importa. — Importa para mim! Ele segurou a própria emoção. — Se eu contar, você vai tentar lutar. — Talvez eu possa. — Não. — Você nem sabe! — Eu sei. A voz dele saiu mais firme. — Eu sou o Ser Supremo. Conheço forças que existem antes dos atuais reinos. E sei exatamente o que acontecerá se eles descobrirem que você está comigo. Veyra ficou em silêncio. Kaelen continuou: — Eles não atacarão apenas você. — Então quem? — Todos. Ela ficou pálida. — O castelo? — O reino. — As pessoas? — Todos que estiverem perto de você. Veyra começou a chorar. — Então você está me abandonando para me proteger? Kaelen desviou o olhar. — Sim. — Isso não é justo. — Eu sei. — Você poderia lutar comigo. — Não posso. — Por quê? Kaelen finalmente revelou: — Porque eu não tenho certeza de que conseguiria vencer se o seu poder despertar completamente. Veyra ficou completamente imóvel. Aquelas palavras doeram mais do que qualquer outra coisa. — Você... tem medo de mim? Kaelen demorou a responder. — Não. Ele olhou diretamente para ela. — Tenho medo do que podem fazer com você. Veyra chorou em silêncio. Kaelen queria abraçá-la. Queria dizer que tudo ficaria bem. Queria voltar atrás. Mas sabia que não podia. Porque havia uma última coisa que ela não sabia. Durante aquele treinamento, quando o poder dela explodira... Kaelen havia sentido uma segunda presença dentro daquela energia. Algo antigo. Algo que não era simplesmente poder. Algo que estava começando a acordar. E se aquilo realmente despertasse... nem mesmo Kaelen sabia o que aconteceria. --- Naquela noite, depois que Veyra deixou o castelo... Kaelen permaneceu sozinho no salão. O castelo inteiro parecia vazio. Ele olhou para a porta por onde ela havia saído. Sua mão fechou-se lentamente. Uma lágrima caiu. A primeira em muitos séculos. — Perdoa-me. Mas Veyra não estava mais ali para ouvir. E foi então que Kaelen percebeu o verdadeiro preço da decisão. Ele havia conseguido afastá-la do perigo. Mas também havia criado exatamente aquilo que mais temia. Uma Veyra livre. Uma Veyra sem p******o. Uma Veyra que começaria a procurar respostas. E, algum dia... ela descobriria que Kaelen não havia terminado o relacionamento porque deixara de amá-la. Ele havia terminado porque a amava tanto que preferiu que ela o odiasse... a vê-la morrer por causa dele.
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