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1503 Words
ALANA CLIVE Eu nunca na vida passei por uma decepção e uma traição tão grande. Mas, além disso tudo, tem algo maior: a humilhação. Eu estou me sentindo humilhada. Ver que o homem que esses dias me pediu em casamento, que dizia que me amava e que tinha planos e tudo mais, precisar de 3 mulheres para se satisfazer é humilhante. Já é rüim quando uma mulher sabe que foi traída com uma, mas logo 3? Que desespero foi aquele? Como que Daniel teve a coragem de fazer isso comigo assim? A minha mente me leva para todos os momentos e eu me sinto uma burra por não ter visto nada de errado antes. Eu sou uma idiotä! Se não fosse aquelas mensagens, eu jamais descobriria e provavelmente, eu teria seguido em frente até ao ponto de me casar. Eu nem quero imaginar a minha vida num infernö daquele. Daniel mente muito bem e confesso, ele sabe deixar uma mulher confiante nele e sabe ter um bom papo de vitimismo e romantismo. Ou será que eu é que sou ingênua demais? Eu estou dirigindo há um bom tempo e já perdi as contas de quantas vezes me xinguei de vários nomes. Mas, estou engolindo o choro! Não vou chorar enquanto dirijo para perder a razão. Eu só espero que Daniel não tenha a cara lisa de aparecer e tentar se explicar. Não tem o que inventar com a cena daquela. Não foi algo da minha cabeça, não foi algo que alguém apenas me disse e ainda está gravado aqui. Então, não tem desculpa alguma! E eu já sei o que eu vou fazer quando chegar em casa. Os minutos vão se passando e eu acelero como dá. Por sorte, o tráfego está tranquilo ainda e tenho boa parte do percurso livre. O meu celular não para de vibrar aqui ao lado e eu nem quero ver ainda. Quando eu chego em casa, eu corro para o meu quarto e pego uma bolsa grande. Eu junto uma roupa para trabalhar amanhã, um sapato e outras roupas e itens pessoais. Faço tudo com pressa e correndo contra o tempo. Depois de pegar tudo, eu verifico todas as trancas e saio de casa com a bolsa e tudo que peguei. Então, aciono o alarme e todo o sistema. Eu pego o meu carro outra vez e parto para outro caminho e fico em torno de uns 40 minutos dirigindo. Eu paro bem num hotel para passar a noite e isso é para evitar de ver a cara do Daniel na minha porta. Eu faço o check in na recepção do saguão e peço um quarto qualquer aqui por baixo mesmo para não gastar tanto. Por sorte, tem disponível, afinal, a maioria das pessoas sempre pedem bem lá em cima. Eu faço o pagamentö e eu tenho ajuda com a bolsa. Ao entrar no quarto, ele está bem organizado, limpo e é aconchegante. Dá para passar a noite e até alguns dias. — Obrigada! — Eu dou uma gorjeta ao rapaz e depois tranco a porta. — Que noite maluca... Ao me sentar, eu vejo o meu celular e tem umas 30 ligações do Daniel e outras dezenas de mensagens. Eu nem perco tempo lendo. A minha ação, é digitar uma coisa, mas é para outra pessoa. “Obrigada por abrir os meus olhos. Quem é você?” Eu espero e nada. Não vem nenhuma resposta e eu decido tentar relaxar. Será que é possível? Eu tomo um banho quente na tentativa e depois, escovo os dentes e visto um pijama. Quando tento ir para a cama, ouço batidas na porta e é uma funcionária do hotel. — Aceita um chá, senhorita? É cortesia! — A mulher estende uma bandeja com um copo térmico fechado. — É calmante. — Obrigada! — Eu aceito o copo e fecho a porta. A recepcionista avisou mesmo algo de um chá, mas eu nem dei atenção. Ao abrir a tampa, eu sinto um cheiro de camomila delicioso e inalo até por um tempo. O aroma é até terapêutico e está no ponto. Eu adoro um chá antes de dormir. Ao ver o celular, ainda não tem resposta da mensagem que enviei, mas tem uma notificação da câmera de entrada da minha casa. Lá está ele. Daniel! Eu sabia que ele iria aparecer e eu o vejo bater na porta várias vezes e me chamar. Ele tenta forçar a porta para abrir, mas o sistema é acionado como um alerta básico que tem a função de afastar qualquer pessoa. Ele dá uma volta na casa e eu observo com os lábios tremendo. Eu ia mesmo me casar com esse homem. Eu me via mesmo ao lado dele, morando com ele e me entregando a ele. Mas acabou! Daniel parece perceber que eu não estou em casa e pouco depois, ele entra no carro e fica um tempo. Ele volta a me ligar outra vez e eu dispenso cada uma. E depois, bloqueio o número para tudo. Eu também começo a apagar tudo que eu tenho dele. Fotos que são várias, tem vídeos, mensagens, publicação em rede social, e-mails e tudo. A única coisa que fica é o vídeo de hoje para eu jamais esquecer o que eu vi ali. Eu vou esquecer que um dia, eu conheci Daniel Danfort. Espero ao menos conseguir dormir hoje. { . . . } O dia já amanheceu e eu vi o céu clarear, praticamente. Eu tive apenas alguns cochilos e tenho certeza de que o que consegui foi com a ajuda do chá. Sem ele, eu nem teria dormido. A minha mente me torturou a madrugada inteira, com lembranças de cada declaração, cada beijo, cada conversa, cada riso, cada foto, cada plano e tudo mais. Não foi fácil. Em vários momentos, parecia que a voz dele estava nem na minha orelha e eu não sabia se chorava ou ficava com raiva. Mas, hoje é outro dia. Eu espero muito e desejo internamente que seja um dia melhor. “Eu prefiro não me identificar, mas eu tinha que avisar. Você é uma mulher incrível demais para ele. Merece alguém bem melhor. Adeus, Alana!” Essa é a resposta da mensagem que enviei ontem agradecendo. Eu tento responder, mas a mensagem não se envia mais. Parece que o número já foi apagado ou eu fui bloqueada. Se antes não dava para ligar, agora é que é algo impossível. Então, é isso. Eu jamais vou saber quem me deu o maior livramento da minha vida. Nossa! Eu queria muito saber. É homem ou mulher? Eu conheço apenas alguns amigos do Daniel, mas eles são tão chegados que duvido que seja algum deles. Fora que, eu nunca tive uma amizade com eles. Eu me levanto da cama e começo o meu dia. Banho, escovar os dentes, roupa, maquiagem e tenho que correr para conseguir algo bom no café da manhã. Eu estou faminta! Acho que isso é um bom sinal. Estou deprimida, mas não ao ponto de ficar sem comer. E saio do quarto, tranco a porta e vou atrás do brunch do hotel. Por sorte, ainda não tem muita gente e eu vou me servindo. Depois de comer, eu pego o meu carro e vou trabalhar. Eu deixei algumas pendências ontem e preciso correr contra o tempo e sinceramente, hoje eu quero trabalhar. Ontem foi a primeira vez que eu deixei algo me dominar ao ponto de não conseguir pensar, mas de hoje em diante, isso não vai mais acontecer. Eu não vou me perder por algo que não vale a pena. Eu adoro o meu trabalho, gosto da minha rotina e gosto do meu ambiente controlado. — Bom dia, Clive! — Alguns colegas me cumprimentam. — O dia vai começar bem, em. — Não entendi... — Eu digo mais a mim mesma, porque alguns passam direto. — Oi, amiga... como vai a noiva do ano? — Eu não consigo entender nada e Cherry me olha já mascando o chiclete dela. É um vício dela. — Você é uma sortuda... aproveita. — Do que está falando? — Eu estou completamente perdida aqui. — Você vai ver... — Ela faz uma piscadela e eu vou à minha pequena sala. Aqui na editora, principalmente aqui no de marketing, temos uns cubículos próprios, mas eu chamo de sala. O setor inteiro é um time que precisa muito estar em constante conexão, então, não ficamos muito afastados e eu considero o meu cantinho uma sala minha. Assim que chego, eu já entendo o que estavam falando. Daniel não presta! Tem flores para todos os lados, chocolates, pétalas e toda uma decoração no local em vermelho. Dias atrás, eu iria adorar algo assim, mas hoje, eu olho com repulsa. — Ah, amiga... ele é um romântico. Onde eu encontro um, em? — Cherry pergunta toda derretida. — Essas rosas são lindas! — Com licença... — Eu dou meia volta e saio em passos largos. Eu preciso de um minuto e preciso de ar!
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