Jade Alencar Assim que atendo a ligação, reconheço imediatamente a voz da minha avó. Mesmo pelo telefone, ela tem aquele tom doce e forte ao mesmo tempo, mas hoje, está mais fraco. Mais cansado e ofegante. — Ah! Como é bom ouvir a voz da minha neta... — Ela fala um pouco arrastado. — Vó! Como está? — Pergunto com um aperto no peitö. Ela tosse forte antes de responder. Aquele som molhado e carregado me deixa alerta. É uns estalos fortes que mostra bem que não é só algo raso ou simples. — Estou com uma virose, coisa boba... já fui ao médico, estou tomando os remédios certinhos, me alimentando direitinho e descansando. Daqui a pouco, estou nova. — Ela fala num riso rouco. — Fique tranquila. — Mas essa tosse, vó... parece pesada... — A minha mãe me olha toda tensa ali da cozinha. —

