Capítulo 13: lama, sangue e vingança.

3585 Words
Narrado por Romeo. No domingo, Ben e eu nos sentamos em silêncio no vestiário, pensando sobre a multidão iminente na torcida. Sabíamos que entre as pessoas, havia olheiros das melhores faculdades escondidos e que cada indivíduo que frequentava Montéquio estava sedento por vingança contra os Capuletos após o ocorrido com Mat. Eu sabia que Julian também estava lá fora em algum lugar, mas estávamos todos focados em Tyler Dawes com um único propósito em mente. Embora não soubéssemos como iríamos fazê-lo pagar ou o que aconteceria depois, a nossa raiva só havia aumentado desde a briga até o dia do jogo. A dormência do choque havia se dissipado após os dias de intervenção, e estávamos mais determinados em fazê-lo pagar do que qualquer outra pessoa lá fora na multidão, cantando tão alto o nosso coro contra os Capuletos que até mesmo parecia fazer as paredes do lugar tremer. De repente, a porta se abriu abruptamente, e um silêncio tomou conta do vestiário quando todos viram Mat entrar, sorrindo timidamente. O seu braço estava engessado e a sua cabeça estava firmemente envolta em curativos. Mat levantou a mão para cumprimentar a equipe, e foi recebido por uma multidão enquanto Ben e eu permanecíamos sentados, olhando um para o outro com cautela. Finalmente, ele se aproximou de nós. - Você não deveria estar aqui. - disse Ben, preocupado. - Você deveria estar repousando. - Vocês realmente acharam que eu perderia o jogo mais importante do ano por causa de uma simples dor de cabeça? - Mat perguntou, sorrindo levemente. - Uma concussão. - eu o corrigi severamente, e ele revirou os seus olhos. - Tanto faz. Só vim para lembrar vocês de chutar a b***a deles... especialmente a de Tyler. Ben riu animadamente. - Digamos que isso já passou pelas nossas cabeças. - Ótimo. - disse Mat. - Eu sei o quanto vocês querem fazê-los pagar, e estou totalmente com vocês, mas a vitória é o mais importante. Já que perdi a minha grande chance, pelo menos eu quero ter algo bom o suficiente para comemorar hoje à noite. - Mat adicionou, fingindo não se importar, nos animando a dar o nosso melhor. Não apenas por nós, mas por ele e pelo time. Imediatamente, Ben e eu tentamos animar o nosso amigo sobre a possibilidade de receber uma bolsa de estudos de alguma das outras faculdades em que ele havia se candidatado. No entanto, ele apenas sorriu de forma fraca e balançou a sua cabeça. - Recebi o último email hoje de manhã. - ele admitiu. - Lamentamos informar, mas, etc. Fiquei chocado e surpreso, enquanto Ben balançava a cabeça com raiva. - Isso não pode ser verdade. - Ben argumentou. - Essa deveria ser a noite em que... - A noite em que seríamos descobertos. Mas, dois de três não é tão r**m, certo? - Mat sorriu de novo, mas Ben e eu nos entreolhamos preocupados. - Bom, já está quase na hora. Eu vou voltar para lá e encontrar um bom lugar. - disse Mat, levantando-se. - Alguém tem que animar a torcida, já que as nossas líderes de torcida são péssimas. - ele zombou. Após a partida de Mat, Ben segurou o meu braço com força e me puxou para encará-lo. Chegando mais próximo a mim, ele disse baixo e sério: - Esse bastardo vai pagar pelo que fez hoje! *** Narrado por Julian. Sentado ao lado de Nathan na arquibancada da Capuleto, eu balançava os joelhos nervosamente em movimentos repetitivos de cima para baixo enquanto verificava compulsivamente o meu celular. Não via Romeo desde a noite anterior, quando ele me salvou outra vez de Liam e me beijou apaixonadamente. Desde que Tyler fez o que fez com o seu melhor amigo, m*l tínhamos conversado. Algo em mim me fazia se arrepender de ter dito para eles fazerem Tyler pagar pelo que fez durante o jogo. Eu sabia que ele e Ben não deixariam isso barato, mas não era isso que eu queria. Queria que se concentrassem no jogo e o vencessem com pontos altos o suficiente para humilhar Tyler e a sua corja. De repente, eu me levantei e fiquei de pé. - Eu vou encontrá-lo. - Não seja idiota.- disse Nathan calmamente, agarrando o meu pulso e me puxando para baixo. - Você não pode simplesmente entrar no vestiário dos Montéquios. Eles te estripariam e jogariam as suas entranhas em Tyler só para provocá-lo. Eu olhei para ele, surpreso com o seu jogo de palavras e ele balançou a cabeça. - Desculpa, mas você sabe o que eu quis dizer. Você é um Capuleto e todos sabem que Tyler é o seu primo. Romeo não vai poder te proteger de todos eles. - Eu preciso vê-lo. - murmurei, puxando o meu pulso do aperto dele e disparando para fora do alcance. - Eu vou ficar bem. - disse. Segurando o meu celular com força para o caso de Romeo mandar mensagem ou ligar, eu andava pela multidão em direção à parte de trás do prédio, tentando não chamar a atenção. Quando eu tive certeza de que estava fora de vista, me esgueirei pelas longas paredes do prédio e espreitei pelas janelas até ver a equipe de Montéquios se trocando lá dentro. Os meus olhos logo se arregalaram quando vi Romeo sem camisa, pegando as suas ombreiras. Os seus músculos se contraíam enquanto ele se movia e eu inevitavelmente mordi os meus lábios. Droga, ele estava tão gostoso. Balancei a minha cabeça, me distanciando desses pensamentos quando eu notei o seu celular descansando dentro do armário e, sem tirar os olhos dele, eu liguei para ele novamente. Ele se virou e olhou para o celular, com surpresa passando rapidamente por seu rosto antes dele o pegar, olhando em volta, disfarçadamente, ele finalmente atendeu. - Oi. - Hum. Oi. - eu fiz uma pausa nervoso. - Você pode vir aqui fora por um minuto? - Eu não estou decentemente vestido... - Eu sei. Eu posso te ver daqui. - eu ri. Ele virou o rosto para o armário enquanto ria, tentando esconder o rosto dos colegas de equipe. - Onde você está? No duto do teto? - ele brincou. - Não tão óbvio. Eu não pude resistir à tentação de tanta testosterona nua. - Ei, é sério! Onde você está? - Estou aqui fora. Aqui atrás. Olhe pela janela. - ele se virou rapidamente para examinar a parte de trás do vestiário, onde pairavam duas janelas antes que os seus olhos finalmente pousassem em mim e ele sorrisse. - Me dá dois segundos. - disse ele, e a linha ficou muda. Eu me afastei da janela e, em vez disso, me encostei na parede, virando-me quando eu ouvi a porta à direita abrir e ele saiu, prestes a colocar a sua camiseta pela cabeça. - Prefiro você sem ela. - eu provoquei e ele riu de novo, então ele abaixou os braços sem vestir a camiseta. Fazendo-me engolir em seco tal visão. - E aí? - ele perguntou, deslizando um braço musculoso em volta dos meus ombros e se inclinando um pouco mais para perto de mim. Eu tentei não morrer com a sua proximidade desnuda. - Você estava me ignorando, não estava? - eu o acusei, olhando para ele debaixo do braço. Ele arqueou as suas sobrancelhas. - Não estava. Desculpe. Eu só costumo me desconectar durante os jogos e, geralmente, não trago o meu celular. Mas hoje estava preocupado com Mat... - ele parou de falar. - Como ele está? - perguntei. - Ele está aqui. - Romeo coçou a nuca, preocupado. - Ainda está se recuperando, então ele não deveria estar aqui, mas não conseguimos convencê-lo do contrário. Eu mordi o meu lábio. - Ele viu Tyler? - perguntei, mantendo a calma. - Não. Ele m*l o mencionou, na verdade. Recebeu um email de rejeição da faculdade hoje cedo e acho que está tentando bloquear tudo. - Poxa. - eu suspirei, sentindo o pânico começar a crescer em minha barriga. - Ele não conseguiu entrar em lugar algum? - Não... e ele não se esforçou tanto quanto poderia, porque contava com essa noite. Eu baixei os olhos por um momento antes de encará-lo novamente, o nervosismo escrito em meu rosto. - As coisas vão ficar feias lá fora, não é? - Romeo passou do semblante sério para uma expressão frustrada e preocupada. - Sim. - ele respondeu eventualmente. - Julian, sinto muito, mas Tyler começou tudo isso. Não queria brigar com ele. Tentamos todos fazer ele parar de bater em Mat, mas ele não parou. Agora, a vida de Mat acabou de esbarrar em um obstáculo porque o seu primo é um maluco perigoso. E... parcialmente, a culpa é minha. Eu não vou deixá-lo simplesmente escapar impune. - eu mordi o lábio, desviando o olhar para o chão. - Entendo. - murmurei, preocupado. - Tenha cuidado, tudo bem? Tyler e a equipe estarão prontos para lidar com isso. Não quero que se machuque. Romeo me olhou estranhamente por um momento antes de sorrir. - Você realmente gosta de mim, não é mesmo? Fiquei constrangido e as minhas bochechas ficaram vermelhas. - Eu... bem... - comecei a gaguejar, me perguntando se estava interpretando a situação corretamente. Romeo levantou a mão que não estava em volta dos meus ombros e gentilmente inclinou o meu rosto em sua direção, antes de me beijar suavemente. Fiquei tão confuso que parei de respirar quando os seus lábios tocaram os meus, aumentando a minha excitação. Ele sorriu enquanto me beijava mais intensamente e depois se afastou, tirando o braço de mim e me empurrando gentilmente contra a parede, descansando as mãos nos meus quadris. Os nossos corpos estavam próximos o suficiente para sentir a pressão, mas havia espaço entre os nossos p****s. Com os olhos fechados, eu senti as minhas mãos correndo sobre o seu peito enquanto a minha respiração acelerava. Pensei em quão gostoso ele era e perdi-me no momento. - O jogo... - eu ofeguei, me afastando dele e desviando os olhos. - Você tem um... um jogo para ganhar. - Você está certo. - ele admitiu solenemente, parando por alguns segundos antes de me beijar novamente. Eu suspirei contra os seus lábios e deixei o meu corpo derreter novamente por mais alguns segundos antes de empurrá-lo para longe mais firmemente desta vez. - c***l. - ele reclamou, sorrindo. - Pense dessa maneira... - sugeri, tentando não mostrar a minha falta de ar. - Se você não morrer por estupidez de garotos no campo, poderá me beijar o quanto quiser mais tarde. Um olhar de culpa passou por seu rosto. - Você pode mudar de ideia sobre mim depois deste jogo. - ele comentou suavemente. Eu revirei os meus olhos. - Eu amo Tyler, mas ele passou dos limites. Talvez ele mereça sofrer um pouco. A sua implicância com Montéquios realmente não tem nada a ver comigo. - Você não se sentiria em conflito sobre isso? Pressionando os meus lábios, eu me perguntava como expressar o meu argumento sem parecer grosseiro e sem alma. - Mesmo sendo família... mesmo com as pessoas que você deveria amar incondicionalmente, sempre há um ponto de ruptura. Eu perdoei Tyler por muitas coisas ao longo dos anos em que crescemos juntos e ele nunca se desculpou por nada. Sei que há um cara legal lá em algum lugar dentro dele, mas eu estou cansado de esperar que ele dê as caras. - eu disse, dando de ombros. - Não sou violento, mas... às vezes, ter medo é a resposta. - Romeo olhou para mim inescrutável por um momento antes de balançar a cabeça. - É incrível como você consegue fazer parecer que Ben e eu estamos fazendo um favor a Tyler. Quase me faz querer reconsiderar. - ele sorriu. - Quase. Sorri também e comecei a me afastar. - Veja se consegue ficar um pouco sujo de lama, quem sabe até com um pouco de sangue também. Ficaria tão gostoso. - disse em um tom provocante e Romeo gemeu. - Você está me matando! - ele disse antes de ir e eu ri, virando pela lateral do prédio. *** Narrado por Romeo. - Desde quando dois minutos conversando com Julian significam quinze minutos se pegando com ele? - Ben exigiu com raiva quando eu reapareci no vestiário outra vez. - Desculpe. - eu disse, tentando parecer penitente, depois ergui as minhas sobrancelhas bruscamente. - Alguém deu falta de mim? - Não - Ben bufou. - Eu cobri os seus rastros. Por qualquer bem que isso faça; aliás, vocês têm que se encontrar mais eventualmente, não exatamente antes do maior jogo das nossas vidas, enquanto todo mundo deveria se concentrar na estratégia e vingança. - disse ele, pegando as minhas ombreiras e me entregando-as, em seguida, eu as coloquei sobre a minha cabeça. Ben continuo com o seu sermão coerente, me entregou a minha camisa e então havia chegado a hora de entrar em campo e se aquecer. As líderes de torcida das duas equipes já estavam guiando a multidão em um frenesi maior do que já havia acontecido; os fãs da Capuleto entoavam insultos e insultos, enquanto as arquibancadas da Montéquio entoavam rimas um pouco mais sombrias por conta do ocorrido com Mat e da vingança. Tudo parecia lembrar um pouco o Império Romano, como se estivéssemos no Coliseu e a morte fosse o resultado esperado. A equipe da Capuleto já estava treinando no outro lado do campo, parei para encarar Tyler Dawes por um momento com incompreensão. Ele estava de pé ao lado de alguns outros, conversando com facilidade e sorrindo, até rindo. Ele bateu nas costas dos colegas e jogou a bola para alguém a alguns metros de distância; atingindo o cara na parte de trás da cabeça e ele girou, rindo, pronto para jogá-la de volta. Como se nada tivesse acontecido. Como se ele não tivesse efetivamente arruinado a vida de Mat. Apertei a minha mandíbula com raiva e me virei quando senti a mão de Ben no meu ombro. - Auto-satisfação. - ele murmurou, olhando na direção de todos os Capuletos. - Não se preocupe. - eu murmurei sombriamente. - Espere até ele colocar as mãos na bola e depois esmagamos ele. Após dez minutos de aquecimento, o árbitro apitou e as duas equipes se alinharam seguindo a tradição dos jogos anuais de futebol de final do ano para cumprimentar uns aos outros. Geralmente, essa etapa é tensa no melhor dos casos, mas naquele dia estava particularmente hostil. Eu passei de pessoa para pessoa, m*l tocando as mãos, com Ben logo atrás de mim, até chegar a Tyler que sorria com malícia. Determinado a ignorá-lo, parei abruptamente quando ele apertou a minha mão com força. - Se você não quer os seus dedos quebrados, é melhor soltar a minha mão agora. - eu avisei, minha voz rouca de raiva. Tyler continuou a sorrir, parecendo imperturbável. - É uma pena que o seu garoto não possa jogar hoje à noite - ele zombou. - Acho que os olheiros vão ter que se concentrar somente em mim. - eu fiz uma careta, tentando manter o meu temperamento sob controle até o primeiro apito soar. Os outros jogadores, de ambos os lados, olhavam para nós, tentando descobrir qual era o problema. - Pena que você não poderá jogar novamente depois desta noite. - eu murmurei em resposta, devolvendo o firme aperto de mão de Tyler com uma das minhas próprias mãos e apertando os seus dedos até ele se encolher minuciosamente. A sua voz suave me fez sentir desconfortável em revelar a verdadeira opinião de Julian. - É melhor ter cuidado agora. - Tyler me alertou com a sua baixa. - O que acha que Julian pensaria de você se me machucar? - a sua voz suave me fez sentir desconfortável em dizer a Tyler como Julian realmente se sentia. Era uma conversa particular que eu preferia manter privada. Tyler sorriu quando percebeu a minha falta de resposta e debochou: - Você está se esforçando tanto para ganhar um prêmio tão patético quanto o meu primo. - ele murmurou para que só eu pudesse ouvir. - Se eu fosse você, pensaria duas vezes antes de continuar. O colegial está acabando e você não estará mais aqui no próximo ano, mas o Julian estará. Além disso, ele não é tão devagar quanto parece. Pergunte ao Liam. - Tyler riu e se virou, me deixando sozinho novamente. Julian tinha alertado que todos possuem um ponto de ruptura, e aparentemente, esse era o meu. Sem pensar duas vezes, joguei Tyler no chão e comecei a socá-lo repetidamente, enquanto os outros jogadores se aproximavam e cercavam a área. A situação rapidamente saiu do controle e logo todos os jogadores estavam brigando no meio do campo, gerando um verdadeiro caos. A confusão era tanta que mesmo as arquibancadas começaram a pegar fogo, com pessoas em pé, gritando, correndo e tentando intervir. Funcionários tentavam desesperadamente nos separar, mas a cada tentativa, uma nova briga ainda mais intensa iniciava em outro lugar. Tyler e eu rolávamos pelo chão, batendo e chutando sem se importar com as normas sociais; não havia nada de cavalheiro naquilo. Ele me acertou um gancho de direita ao lado do meu rosto, fazendo com que uma gota de sangue escorresse. Completamente atordoado, eu apoiava todo o meu peso nele para tentar incapacitá-lo por um momento, lutando contra a minha súbita tontura No entanto, Tyler conseguiu se livrar e me acertou uma ajoelhada no estômago para escapar. Eu agarrei o seu tornozelo e pressionei o meu cotovelo em suas costas, o virando e acertando-o um soco novamente. Ele cuspiu sangue e me atingiu na mandíbula, fazendo os meus dentes estalarem de dor. Prestes a revidar, uma sombra se aproximou rapidamente e, de repente, Ben estava ajoelhado ao meu lado com o rosto pintado de raiva. - Agora vamos ver como você gosta. - ele murmurou, pegando o braço de Tyler e dobrando-o em um ângulo impossível. Tyler gritou com toda a força de seus pulmões e eu olhei para Ben desesperado; aquilo era demais. Claro, o braço de Mat havia sido quebrado na briga, mas isso tinha sido um efeito colateral, resultado da forma desajeita de quando caíram no chão. Nada tão c***l. - Ben. - eu o chamei, sem soltar Tyler, que era a única coisa que impedia ele de arranhar o rosto de Ben em um esforço para fugir. - Ben, para! - antes que pudesse fazer ou dizer qualquer outra coisa, mais corpos apareceram, e os meus olhos se arregalaram em choque quando vi Mat ao nosso lado, ao lado de Hayley Hale de olhos lacrimejantes e o seu uniforme de líder de torcida. Mat se ajoelhou ao lado de Ben e sussurrou suavemente: - Ben. Já chega! Deixa ele ir. - Ben olhou para Mat sem entender. - Mas... - Deixa ele ir. - com o maxilar cerrado, Ben esperou mais um segundo antes de soltar o braço de Tyler e se levantar com raiva. Cautelosamente, eu segui o exemplo, e Tyler apertou o seu braço inquebrável contra o peito, encolhendo-se em posição fetal. Ben continuou olhando para ele por alguns momentos antes de finalmente olhar para cima, os seus olhos encontrando os de Hayley. - Vamos - ele murmurou, mas Hayley deu um passo para trás nervosamente. - Hayley - Hum? - ela murmurou, parecendo, se não me engano, meio assustada. Ben franziu as sobrancelhas confuso. Essa era a garota que por três anos fora louca por ele, mas que agora estava se afastando. - Fico feliz que esteja bem. - ela conseguiu deixar as palavras saírem fracamente antes de virar-se e sair correndo. *** - Tanto faz. - disse Ben de repente, enquanto nos vestíamos no vestiário. Mat e eu olhamos para ele com expectativa. - Julian ficará mais chateado com você do que Hayley está comigo. - continuou ele. Eu não estava convencido disso e dei de ombros. - Eu não sei. Ele me disse que achava que Tyler precisava aprender uma lição e também disse que queria que eu ficasse sujo de lama e sangue. Acho que ele não vai se importar. - eu expliquei. Ben olhou para cima, surpreso e irritado. - Sério? - perguntou ele. Eu dei de ombros novamente e Ben suspirou. Sentamos no banco de cada lado dele e Mat disse: - Talvez a solução seja fingir que somos gays. O que você acha, Ben? Devemos dar uns amassos? - Ah, sim, claro. - ironizou Ben. - Desde quando você se importa com o que Hayley pensa? - perguntei. - Você sempre a achou meio irritante. - lembrei. Ben fez uma careta. - Sim, mas ela sempre foi tão na minha. Eu nunca tive que me preocupar com o que ela pensava. Agora, de repente, ela decide que há uma linha e eu a cruzei. É irritante. - Você tem certeza de que é tudo isso? - perguntei. - Não. Agora tenho que encontrar outra pessoa para levar ao baile, se ela não quiser mais ir comigo. - respondeu Ben. Mat riu ceticamente e disse: - Claro. Até porque ainda vamos ter um baile depois de todo esse showzinho. Nesse momento, o nosso treinador apareceu na porta do vestiário, parecendo ainda mais irritado do que eu antes da briga. - Vocês têm sorte que é fim de semana. - começou ele a nos cuspir a culpa. - Talvez até segunda-feira tenhamos decidido não expulsar todos vocês. Agora vão para casa.
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