Capítulo 12: a Fogueira.

2760 Words
Narrado por Julian. No dia seguinte ao nosso "encontro" com Liam, eu ignorei completamente as aulas e implorei para que a minha mãe não me fizesse sair da cama. A última coisa que eu queria era ver o rosto de Liam tão cedo, pois as lembranças da forma como ele agiu ainda me assombravam. Ele apertou o meu rosto e pulso com tanta força, e o seu beijo contra a minha vontade ainda me deixava abalado. Enquanto eu sorria fracamente para minha mãe, ela me perguntou novamente se certificando. - Voce vai ficar bem mesmo? - perguntou minha mãe da porta do meu quarto pela terceira vez se certificando, enquanto eu apenas sorria fracamente para ela em resposta. Todos já haviam saído e, depois de ter certeza de que eu ficaria bem, ela também saiu. Quando eu acordei, Nathan não estava ao meu lado na cama e ela parecia mais fria. O meu celular vibrava incessantemente com as suas mensagens, ele ainda estava curioso sobre o que havia acontecido entre Liam e eu. Porém, eu não tive coragem de contar a Nathan. Ser julgado e desapontá-lo, nesse momento, não ajudaria a me sentir melhor. Além disso, Nathan estava certo. Romeo ainda não respondia as minhas mensagens, o que me preocupava. Fiz o meu melhor para não pensar coisas bobas do tipo: será que ele já se cansou de mim? O que realmente eu não acho que seja. Ele prometeu me amar, eu sei, embora seja repentino, mas ele não brincaria com os meus sentimentos, brincaria? Eu limpei a minha mente de qualquer tipo de pensamento, sem pensamentos do abuso de Liam, do odio de Tyler ou dos beijos doces de Romeo. Ainda deitado em minha cama, ouvindo pela trigésima vez o Ultraviolence, eu lembrei de Rosalia, quando ela se abriu para mim sobre a sua paixão interrompida. Eu ainda me sinto m*l por ela, depois de tudo, talvez eu devesse parar de pensar em mim e focar em outra pessoa. Pelo menos, nesse meio tempo. Aém disso, eu prometi a mim mesmo que a ajudaria, e esse era o momento. Eu pensei por alguns segundos no que eu faria. Ela não estava mais se falando com Malia, então, julgando por sua tristeza infinita, seria esse um dos seus problemas. Eu poderia facilmente achar Malia em redes sociais, poderia conversar com ela para tentar amenizar as coisas e quem sabe Malia pudesse dar outra oportunidade a Rose. Era esse o plano e seria perfeito, mas para isso, eu precisava saber pelo menos o sobrenome de Malia. De repente, uma ideia surgiu em minha mente. Talvez Rosalia tivesse guardado algo da sua amada em seu quarto que pudesse me ajudar a encontrá-la. Mesmo com dificuldade para me levantar, eu me espreguicei e caminhei até o fim do corredor em direção ao quarto dela. Ao girar a maçaneta gelada da porta, eu me deparei com um ambiente extremamente organizado. Andei com passos suaves até a sua mesinha e percorri os meus dedos pela superfície de madeira, buscando algo que pudesse me ajudar a encontrar Malia. No entanto, não havia nada ali. Fiz uma busca na estante do outro lado do quarto, mas eu não encontrei nada relevante. Nenhum caderno antigo, diário ou fotos significativas. O seu computador estava protegido por uma senha, o que me fez suspirar de desânimo. Então eu deitei na sua cama, jogando os meus braços para trás, pensando que todos os meus planos haviam sido arruinados. Foi então que eu me lembrei do guarda-roupa dela. Era lá que eu deveria procurar, podia facilmente ter algo nele. Com um movimento rápido, eu me levantei da cama e acabei deixando o meu celular cair do bolso do pijama, fazendo um barulho alto. - Droga! Me diga que não quebrou. - eu bufei, perguntando a mim mesmo, preocupado com o meu pobre celular, eu me abaixei para pegá-lo com certa dificuldade já que ele acabou indo parar de baixo da cama. Levei a minha mão para tentar pegar e passando de um lado para o outro, eu acabei encontrando algo estranho no chão do quarto. - O que é isso? - eu puxei o que peguei. Era algum tipo de roupa. Sentando, eu levantei o que parecia ser uma camiseta, mas ela parecia uma das camisetas do Tyler, até tinha o seu perfume. - O que isso está fazendo aqui? - estranhei. Fiquei surpreso com isso, mas eu decidi ignorar, quando eu ouvi o meu celular vibrar. Abaixando-me outra vez, eu o peguei. Nathan - 09:25AM O que me diz de sairmos tomar sorvete depois que eu sair da escola? Eu pago :) Julian - 09:25AM Ah, claro. Nathan estava docemente tentando me fazer sentir melhor e estava funcionando. Então, afastando todos esses pensamentos, eu voltei a minha atenção para o que me trouxe aqui em primeiro lugar. Enquanto eu vasculhava o guarda-roupa de Rosalia, eu me concentrei em encontrar algo que pudesse me ajudar a encontrar Malia e encontrei. Era uma foto dela, onde atrás havia o seu nome e um sobrenome junto de uma data. Com a informação que eu precisava, eu deixei o seu quarto, deixando também tudo que encontrei no mesmo lugar que eu peguei. Ainda era cedo e eu estava sozinho em casa. Peguei o meu notebook e desci as escadas, indo até à cozinha. Eu deixei o meu computador sobre o balcão aberto e me servi uma grande caneca de café, em seguida, dando início ao meu trabalho. Barra de pesquisa: Rosalia Dawes. Tentei, embora eu soubesse que Rosalia havia desativado a sua página. Sem sucesso. Barra de pesquisa: Malia Willians. Eu busquei então pelo outro lado da moeda. Sucesso. Malia ainda mantinha a sua página, mas ela não atualizava há algum tempo, o que me preocupou. Como eu entraria em contado com ela? Persisti até que eu consegui encontrar o seu número de telefone, está bem, talvez eu seja quase um hacker, mas tudo o que sei, eu aprendi com o melhor, Nathan. Sorri, anotando o número de Malia em meu celular. Em breve, Rosalia teria uma surpresa. *** No sábado anterior ao grande jogo, como acontece todos os anos, os alunos do último ano da Capuleto preparavam uma enorme fogueira para reunir todos os estudantes e compartilhar boas vibrações para o jogo do dia seguinte. Esse ritual era uma tradição desde a fundação da escola, e todos os alunos da Capuleto com senso eram encorajados a comparecer, para evitar serem "apedrejados" pelo resto do ano letivo. Basicamente, bastava ir lá, passar uma hora fazendo de conta que estava adorando tudo aquilo, e depois sair de consciência limpa. Eles traziam comidas, bebidas e, é claro, outras coisinhas ilegais. Este ano, Nathan era um dos organizadores, então eu sabia que deveria estar lá para apoiá-lo. No entanto, eu ainda não havia superado o fato de Liam ter me beijado à força e, por isso, não estava nem um pouco ansioso para encontrar com ele lá. Eu não tinha contado a Nathan ou a qualquer outra pessoa sobre o ocorrido, eu apenas tinha guardado a angústia no fundo do meu peito. Ainda assim, eu sabia que deveria ir à Fogueira por Nathan, e também Rosalia estaria ao meu lado. Nathan - 18:45PM E aí estão prontos? Já estou chegando aí. Recebi a sua mensagem, saindo dos meus devaneios dramáticos sobre Romeo, que até o atual momento, não havia me mandado mais mensagens desde o nosso encontro, mas eu não queria parecer desesperado, enchendo a sua paciência com milhões mensagens. Não estou desesperado. Julian - 18:47PM Estamos prontos, esperando por você :) Eu enviei a Nathan, depois de suspirar. Nathan havia passado o dia todo fora de casa organizando a Fogueira. Era evidente que ele estava dando o seu melhor, mas eu não conseguia apreciar esse tipo de esforço em busca de popularidade na escola. Capuleto é um lugar cheio de títulos e status, onde os alunos vivem por essas conquistas. Mas no final das contas nada disso terá importância depois que a escola acabar. - O que você achou? - Rosalia surgiu na porta do meu quarto, exibindo o seu vestido vermelho e a sua bota. Era surpreendente vê-la vestida assim, já que ela nunca usava roupas assim desde que se mudou para cá. - Está linda, Rose. - eu respondi, olhando-a de cima a baixo. Enquanto Rosalia se atirava na minha cama, os meus olhos se desviaram para o grande espelho à minha direita. O meu olhar sem ânimo recaiu sobre mim mesmo. Não conseguia entender o que Romeo ou Liam viam em mim, eu não me sentia especial, nem um pouco. Suspirei, fingindo sorrir para mim mesmo, antes de começar a arrumar o meu cabelo. Foi então que o soar da buzina de Nathan chamou a nossa atenção e Rosalia desceu apressada as escadas para encontrá-lo. - Aqui vou eu. - eu suspirei novamente, pegando o meu celular e dando início ao meu caminho para a sala de estar. - Levem os seus casacos, vai esfriar hoje à noite. - disse a minha mãe da cozinha, mas nós já estávamos preparados. - Pode deixar, mãe. - gritei de volta. - Rose e eu já vamos, tchau. - disse ligeiramente quando ela surgiu na sala e rapidamente eu sai, Rosalia já estava entrando no carro e Nathan olhava para mim, ele parecia cansado. Eu estava prestes a entrar no carro quando Tyler surgiu por trás de mim, nem mesmo percebi ele se aproximar, que me fez pular para cima ligeiramente surpreso. - Vou com vocês. - disse ele, entrando na minha frente para entrar no carro sem ninguém concordar ou assentir, eu dei espaço para ele, que se sentou ao lado de Rosalia no banco de trás. - Entra logo Julian, quero chegar logo na Fogueira. - resmungou ele e eu apenas revirei os meus olhos, entrando. Nathan franziu as sobrancelhas para mim antes de dar partida no carro. Assim que Nathan estacionou o carro no pátio os seus amigos do último ano surgiram para levá-lo, pois quando chegamos na Fogueira, eles estavam prestes a ascendê-la, apenas esperando por Nathan para ter as honras. Tyler sumiu em meio aos outros alunos assim que desceu do carro, felizmente, não houve piadinhas ou provocações sobre Romeo e tudo mais, eu acho que ter saído em um encontro com Liam foi o suficiente para calar a boca de Tyler, mesmo que temporariamente até Liam contar o que aconteceu. - Você vai ficar bem se eu for dar uma volta? - perguntou Rosalia assim que Tyler e Nathan nos deixaram, eu olhei para ela surpreso, mas eu assenti. - Vou ficar bem. - sorri. - Ok. - ela disse e sumiu assim como Tyler pela multidão de alunos. Eu apertei os meus lábios, olhando para o meu redor procurando por algum conhecido. Peguei o meu celular para ter certeza de que Romeo não havia mandado mensagem e ele não tinha. Suspirei. Como eu queria estar com ele agora. - Reunidos hoje aqui. - Nathan começou o seu discurso em voz alta, chamando a atenção de todos os alunos ali, que começaram a se aproximar da Fogueira ainda apagada. - Cada um de nós, cada Capuleto aqui. Olhei para a multidão de alunos e vi Liam parado não muito longe de mim, eu pude sentir a minha pele arrepiar ao lembrar de quando ele apertou o meu rosto e do seu beijo. Sacudi a cabeça afastando a lembrança. Liam sorriu para mim e eu voltei a olhar para Nathan. - Juntamos as nossas boas vibrações e pensamentos para podermos vencer a nossa rival, Montéquio. - ele gritou e todos gritavam, assobiavam e aplaudiam para as suas palavras animados e frenéticos para o que vinha a seguir. - Vai Capuleto. - Nathan ergueu a tocha agora acessa por seu colega, em seguida, ele levou a mesma até a Fogueira, dando início a combustão. Entre gritos eufóricos, chamas flamejantes e calor, eu não pude evitar de sentir o meu corpo arrepiar. Havia uma sensação que não podia distinguir *** Fazia algum tempo que havíamos chegado e eu ainda estava sozinho, sentado ao longo de várias pessoas juntos de seus amigos conversando e bebendo, não muito próximo à Fogueira, mas perto o suficiente. Olhava constantemente o meu celular a espera de algum sinal de Romeo, mas é claro, não havia nada. Rosalia ainda estava sumida assim como Tyler e Nathan, o pensamento de ir para casa brincava em minha mente, mas ir a pé não era uma opção desde não moramos tão perto da escola. - Posso sentar aqui? - a sua voz tirou-me dos meus pensamentos. Olhei para a direção da sua voz e o meu bom tempo fechou. - Não. - disse a Liam friamente. - Julian, me desculpa. Aquilo que aconteceu, aquele... aquele não era eu. Eu não estava pensando direito. - ele dizia, balancei a minha cabeça para ele. Como ele ainda se atrevia a vir falar comigo? - Não, Liam. Aquilo só me mostrou quem você realmente é. Um maluco. - disse antes de me levantar, ele bufou, mas dei de ombros e comecei a me distanciar dele. Que o fez apenas vir atrás de mim. - Julian, volta aqui. - ele me seguia ligeiramente enquanto eu tentava encontrar Nathan, mas eu estava falhando miseravelmente. - Você precisa me ouvir. Eu sai correndo para o estacionamento assim que dobrei um dos grandes prédios da escola, eu ainda podia ouvir Liam me chamando e isso me irritava. Por que ele não desiste? Ainda correndo para me esconder e fugir de Liam, eu fui surpreendido quando alguém surgiu por de trás de um dos carros no estacionamento, ele vestia um moletom com capuz escuro, me impedindo de ver o seu rosto e saber quem era ele. - Quem é você? - eu perguntei e não tive resposta, mas eu pude ouvir Liam gritando o meu nome e se aproximando. Olhei para trás por um segundo para ver se Liam estava próximo, então, eu senti um aperto no meu pulso e fui puxado para baixo, para trás de um carro. - Oi. - disse o desconhecido e logo reconheci a sua voz, Romeo. - Novamente, eu te salvando. - ele riu. Pude sentir o meu ritmo cardíaco acelerar, o meu desejo havia se tornado realidade. - Romeo. - disse ligeiramente e ele levou a sua mão até a minha boca. Olhávamos um nos olhos do outro, sendo iluminados por uma pequena fresta de luz. Liam passou reto sem perceber que estávamos escondidos ali e ainda chamando por mim. Romeo tirou a sua mão da minha boca. - O que você esta fazendo aqui? - perguntei, franzindo as minhas sobrancelhas. - Estou aqui para te salvar, é claro. - disse Romeo seriamente, então, ele sorriu. Não pude evitar e, imediatamente, eu o beijei. Era mais forte do que eu, depois de todo esse tempo sem vê-lo era como se não houvesse chovido por anos e finalmente as primeiras gotas surgiram. Ele me beijava de volta vorazmente, saciando a sua fome por mim. Depois de longos segundos de um beijo voraz e sedento, nos separamos, implorando por ar. - Você não pode estar aqui, se eles te verem. - eu disse preocupadamente. Ele deu de ombros. - Eu sei. Mas não podia ficar mais um dia sem te ver, eu vi quando você saiu se casa com o seu irmão e eu presumi que viriam para cá. - ele explicava. - Precisa dizer mais uma vez que te amo. Sorria para as suas palavras. - Não mandei mensagem nesses dias, porque estava treinando e passando um tempo com os meus amigos, tem acontecido muita coisa desde que estamos juntos. - ele suspirou. Apertei os meus lábios. Ele estava certo, tudo tem sido uma loucura, brigas, encontros, abusos, o que mais podia acontecer. - Eu sei. - Também queria ver esse ritual satanista que vocês fazem aqui. - ele zombou e eu ri. - Romeo. - eu chamei. - Também te amo. - disse sem pensar e eu o abracei. Eu apertei seu torso fortemente, sentir o seu calor e perfume era algo reconfortante. Ele me abraçou de volta, ficamos assim até que a voz de Liam voltou a nos assombrar. - Julian! - Liam gritava. - Essa é sua deixa. Você precisa ir antes que alguém te veja aqui, vai ser pior. - Eu sei, eu já vou. - ele me beijou uma última vez. Antes de soltar os seus braços de mim relutantemente. - Fica bem. - Eu vou.
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