Capítulo 7

1009 Words
Lara voltou a si sentindo alguém se sentar ao seu lado. Ela não olhou para ver quem era, não se importava, só queria paz e se a pessoa permanecesse em silêncio estava tudo bem. — Também sinto a falta dela, Lara. — diz Lorenzo com uma voz embargada. Seu pai tinha se acabado depois da morte da mãe, Lara precisava admitir isso. O homem antes arrogante e confiante tinha se tornado alguém que ela não reconhecia, mas tinha se acostumado a ver. — Sei que me culpa por ter te mandado para aquele internato. Mas entenda Lara, eu não sabia o que fazer, — diz em desespero, — estava perdido de mais na minha dor para ver que você também precisava de mim. Aquela era a primeira vez desde que Lara havia voltado que Lorenzo falava com ela sobre aquilo, mas as palavras dele chegaram tarde de mais no seu coração, já não lhe importava mais. Ela tinha sobrevivido, superado a sua dor em silêncio e sem a ajuda dele, da pessoa que elas mais precisava ao seu lado. — Não quero falar sobre isso. — diz ela de forma seca se levantando. — Por favor Lara, eu... — Já disse que não quero falar sobre isso. — diz ela saindo sem dar chance de Lorenzo tentar corrigir os seus erros. Lorenzo olhava para as costas da filha sem entender como ela tinha se tornado aquela pessoa, fria, sem nenhum apego. Ele se lembrava de como ela sempre se jogava nos seus braços quando chegava da escola, como sempre estava com ele no escritório. Aquilo tinha passado e sua filha amada havia se tornado uma estranha sob o seu teto. — Não a pressione. — diz uma voz cansada. — Mamãe, eu... — Você procurou por isso filho, — diz ela se sentando ao lado dele, os olhos cansados examinando o filho. — Procurou isso no momento em que a mandou embora. — Pensei que seria o melhor para ela, que ela teria contato com outras mulheres e meninas da sua idade. — justifica ele de forma frustrada. — Mas ela não precisava disso filho. Lara só precisava de você. — responde com um suspiro. Lorenzo sabia daquilo agora, mas já era tarde de mais para recuperar a sua garotinha. — Cancele esse casamento filho, deixe a Lara fazer as escolhas dela como era o desejo de Helena. — pede a velha senhora segurando com força a mão do filho. — É mais complicado do que você pode imaginar mãe, não tem como. — diz ele balançando a cabeça de forma frustrada. — Sempre disse para você andar na linha Lorenzo, e não precisa você me dizer para que eu saiba que eles têm algo contra você. — responde à senhora o soltando com um suspiro pesado. Lorenzo não responde, não tinha uma resposta para algo que era óbvio. — Tente corrigir os seus erros, antes que a perca para sempre. — diz ela se virando e saindo. Lorenzo encara o silêncio da noite com pesar, os seus olhos tristes olhando para as estrelas que antes tinha lhe trazido tanta felicidade. — Você me odeia de onde está, Helena? — pergunta ele sentindo lágrimas descerem por seu rosto. Ele havia quebrado a sua promessa. O vento não traz a resposta que ele desejava ouvir, não traz a voz suave que se perdeu há muitos anos. Tudo o que lhe restava era o silêncio de uma noite fria. Do seu quarto Lara via o pai caminhar com ombros caídos de volta para casa. Aquilo não a comovia, cada um colhia segundo o que plantava. O toque de seu telefone a tira daqueles pensamentos. — Encontramos o nosso cara, o Dario já cuidou disso. — Diz Alonzo ao telefone. Aquelas palavras deixavam claro que eles haviam eliminado o problema pela raiz, e que ela não teria como descontar a sua raiva em alguém. — Está a fim de uma luta? — pergunta enquanto encarava o pátio sem nenhuma expressão. Alonzo trava, aquilo não era bom. Ele odiava lutar com Lara em seus dias ruins, porque não podia se soltar, mas ele também não negaria o alívio que ela buscava naquele momento. — Apenas não acerte o rosto ok, tenho um encontro essa semana. — diz ele enquanto praguejava na linha. — Chego ai em cinco minutos. — diz ela com um sorriso. — Não! Sua maluca venha mais de.... — Lara já tinha desligado o telefone. Lara arruma uma pequena bolsa preta veste uma roupa de academia e desce. — Vai sair? — pergunta a vovó Maria. — Sim, vou malhar com um amigo vovó, volta tarde. — diz ela querendo se afastar da senhora. Ela podia ser de idade, mas enxergava bem através dos muros que ela construia. — Querida... — Eu vou ficar bem vovó, só preciso de um momento sozinha. — diz ela dando um beijo na testa da senhora. — Sempre estarei aqui por você pequena. — diz ela com um sorriso doce. — Eu sei vovó. — diz ela jogando um beijo para ela antes de sair. Horas depois Lara estava encharcada de suor, o seu peito subindo e descendo de forma descompassada enquanto ela se recuperava da luta com Alonzo. Alonzo respirava com dificuldades, Lara tinha pegado pesado com ele naquela noite, mas ao menos tinha cumprido o acordo de não acertar o seu rosto, mas o resto do seu corpo ele não podia dizer o mesmo. Ela podia ser pequena, mas tinha uma força que ele admirava. — Que bicho mordeu a sua abunda hoje? — pergunta ele depois de uma longa pausa. — São apenas velhos fantasmas, Alonzo. — diz ela. No mundo deles aquilo explicava muita coisa, e Alonzo conhecia a história de Lara e sabia do relacionamento tenso dela com o pai, e depois desse negócio de casamento ele entendia bem o porquê dela estar daquele jeito. — Um dia de cada vez garota, — diz ele se levantando e estendendo a mão para ela, — um dia de cada vez.
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