Capítulo 2

1090 Words
— Olha que sorriso lindo! Nem conheceu o cara e já está apaixonada. — Lara lança um olhar mortal para Alonzo, mas, se tinha uma coisa de que Alonzo não tinha medo, era do perigo. — Já disse que posso cuidar disso. — insiste Dario, com os olhos voltados para o celular à sua frente. — Não precisa se preocupar. — diz ela, levantando-se. — Vou resolver isso. Me liga se precisar de mim. — Leve seu tempo, não se preocupe. — diz Dario. — Ei, Lara! — grita Alonzo ao longe. — Vê se deixa o cara inteiro. Ela responde mostrando o dedo do meio para ele. — Você está brincando com a sorte. — Eu gosto do perigo. Lara dirigia rumo ao café que seu pai lhe havia indicado. Naquele dia, ela tinha outras coisas para fazer, mas agora seu dia estava perdido. Ao chegar ao endereço, entrou e se sentou em uma mesa separada das outras. Pediu um cappuccino e esperou seu futuro noivo. Ela estava distraída no computador quando ouviu a cadeira à sua frente ser puxada. Ao levantar a cabeça, deu de cara com o homem mais bonito que havia visto em sua vida. Seus olhos eram castanhos; ele era alto e esguio, tinha a pele pálida e um rosto de dar inveja aos anjos. — Você deve ser a Lara. — diz ele, com um pequeno sorriso, fazendo seu rosto se iluminar. — Eu sou Enrico Rossi. — diz, estendendo-lhe a mão. Lara aperta sua mão levemente enquanto encara o homem à sua frente. — Olá, Enrico. — diz ela, segurando sua mão enquanto olha fixamente para seu rosto. — Estava curioso para saber quem era a mulher linda de quem meu pai falava. Lara percebe seu olhar predador sobre ela, e sua impressão sobre ele muda na mesma hora. — Acho que precisamos esclarecer algo, Enrico. — diz, com os olhos frios. — Não desejo me casar com você, mas o i****a do meu pai andou aprontando, então aqui estamos nós. — Você é direta. Gosto disso. — A expressão antes simpática de Enrico dá lugar a um rosto diferente. — Também não desejo me casar, mas minha família insiste nesse assunto. — Acho que podemos chegar a um acordo. — diz ela, analisando-o com cuidado. — O que sugere? — Um casamento de fachada. Você não interfere na minha vida, e eu não interfiro na sua. Enrico olha para Lara, curioso. Ele jamais imaginou que a linda mulher de olhos de esmeralda fosse sugerir algo daquele tipo. — Eu concordo com você, mas tem algo. — E o que seria? — Você terá que morar comigo. Se não, eles podem desconfiar. Enrico sabia o quanto sua mãe era invasiva e tinha certeza de que dona Pérola daria um jeito de verificar se eles estavam levando o casamento a sério. — Desde que eu tenha o meu espaço, não vejo problemas. — diz ela, dando de ombros. — Tenho certeza de que seremos bons amigos, Lara. Te mando uma mensagem com a data do noivado. — diz, já se levantando para ir embora. — Tem mais uma coisa. — diz ela, fazendo Enrico esperar. — Diga. — Não quero festa, apenas uma cerimônia simples. Lara se recusava a se constranger em uma festa de casamento que, para ela e Enrico, não passava de uma farsa. — Acho que será melhor mesmo. Se é só isso, nos vemos no noivado. — diz, virando as costas e saindo. Lara observa Enrico partir, satisfeita. Ela não imaginava que seria tão fácil entrar em um acordo com ele. Enquanto guardava seu computador, o telefone de Lara toca. Ela sorri quando vê o nome na tela. — Olá, Alison. Como vai? — Sua vaca, por que não me ligou de volta? — pergunta, chateada. — Devo ter esquecido. Muitas coisas estão acontecendo ultimamente. — diz, com um suspiro. — Está livre agora? — Mais ou menos. — Ótimo. Me encontre no shopping em dez minutos. — Tudo bem. Lara até pensou em recusar, mas sabia como a amiga era. Ela não aceitaria uma recusa. Pegando suas coisas e pagando a conta, deixa o café com destino ao shopping da cidade. Assim que estaciona o carro, a amiga corre até ela. — Ainda com esse carro, Lara? — brinca Alison, fazendo careta. — Gosto dele. Ainda é novo. Alison era uma grande consumista e, como era filha única de uma família importante, seus pais faziam todos os seus gostos. — Não, amiga. É de dois anos atrás. — Você não tem jeito mesmo. — diz Lara, balançando a cabeça. — O que posso dizer? Sou uma garota cara. — diz, jogando os cabelos loiros para trás, fazendo Lara rir. Juntas, elas seguem para dentro do shopping, um dos maiores e mais caros da cidade. Lara já sabia para onde Alison estava indo. Era seu ponto favorito no shopping: uma loja de joias. — Bom dia, senhorita Salles. — diz uma vendedora, vindo até Alison. — Minha encomenda chegou? — pergunta, sorrindo. — Claro. Me acompanhe, por favor. — pede a atendente, levando-a até outra sala, onde uma grande quantidade de joias estava em exibição. Os olhos de Alison brilham quando olha para as peças à sua frente. — São todas da nova coleção da Tiffany, senhorita. — Olha esse colar, Lara! — diz Alison, erguendo um colar de diamantes e mostrando-o a Lara. — Muito exagerado. Prefiro esse. — diz ela, erguendo uma pulseira de ouro branco com um pingente de esmeralda. — Combina com seus olhos. — diz Alison, analisando a joia. — Vou ficar com essa pulseira. Vai ser meu presente para você, Lara. — Sabe que não precisa gastar dinheiro comigo. — diz ela, arqueando a sobrancelha. — Sei, mas como não te dei nada quando voltou, vai ser um presente de boas-vindas atrasado. — diz, indo até Lara e prendendo a pulseira em seu pulso. Lara olhava a pulseira com encanto. Era do jeito que ela gostava: simples, sem extravagância. — Obrigada, Alison. Eu amei. — diz, dando-lhe um abraço. Lara sente seu telefone tocar em sua bolsa e se separa de Alison para atender. Sua expressão se escurece enquanto ouvia a ligação. — Problemas? — pergunta quando Lara desliga. — Sim. Algo urgente no trabalho. Tenho que ir. — Te ligo mais tarde. — diz Alison, enquanto Lara sai da loja apressada. Fora da loja, a expressão de Lara era sombria. Alguém estava procurando problemas, e ela havia encontrado alguém para descarregar suas frustrações.
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