Capítulo 3

1003 Words
Lara entra em seu carro e arranca a toda rumo ao armazém de Dario. Assim que desce do carro, Alonzo joga uma bolsa para ela. — O que houve? — pergunta ela enquanto tirava as roupas que estava usando. — Uma armadilha. Querem pegar a nossa carga. — diz Alonzo, virando de costas enquanto ela se trocava. Aquilo era algo com que ele nunca se acostumava; Lara não ligava muito para sua privacidade, então Alonzo estava sempre por perto para evitar olhares indesejados sobre sua parceira de trabalho. — Pronto, podemos ir. — diz ela. Lara usava calça e blusa pretas, com uma máscara que deixava apenas os olhos à mostra. Um carro para ao lado deles e os dois entram. Lara já havia feito aquilo muitas vezes; sempre tinha alguém caçando problemas. Pegando as suas armas, ela verifica a munição e pega mais alguns pentes, colocando no bolso. Se as coisas saíssem como de costume, ela não precisaria de tudo aquilo — mas prevenir era sempre bom, em sua opinião. — Tem alguma restrição? — pergunta ela. — Não. É pra fazer o limpa. — diz Alonzo. — Ótimo. Isso vai ser interessante. — ela sorri, fazia dias que estava desejando uma missão como aquela, e depois de tudo o que seu pai tinha aprontado. Lara precisava extravasar; fazia dias que não saía em uma missão decente. Ela sabia o que Dario estava tentando fazer e não permitiria aquilo. Não jogaria fora anos de treino dentro da organização só porque seu chefe estava preocupado. O carro avança pela pista entre outros veículos. Depois de um tempo, ela avista alguns carros escoltando um caminhão. Apenas uma troca de olhares com Alonzo confirma as suas suspeitas. Por sorte, a estrada não estava movimentada naquela hora. Ela abaixa o vidro do carro e mira no veículo da frente, acertando os seus pneus. Observa, satisfeita, o carro sair da pista e capotar. Os outros veículos interceptam os carros, tirando-os da estrada. O caminhão não tem outra opção a não ser parar. Eles descem e verificam as pessoas nos veículos, matando aquelas que tinham sobrevivido. Dario tinha sido específico: ninguém deveria sobreviver. — Parece que está tudo certo. Vamos levar a carga de volta para o armazém. — diz Alonzo, vendo as vans da organização se aproximarem. Ele não era louco de levar o caminhão; a polícia logo estaria em sua cola. Rapidamente começam a transferir a carga do caminhão para as vans e, em poucos minutos, partem — cada um para um lado, para evitar emboscadas. Lara estava em uma das vans com o motorista do caminhão. Ela sabia que Dario teria algumas perguntas para ele, mas antes o havia revistado para garantir que não levava nenhuma escuta. Naquele ramo de trabalho, todo cuidado era pouco. Eles cortam a cidade de forma desesperada; tinham pressa para chegar ao destino. Lara sente quando um veículo se choca contra a van. Ao que parecia, estavam sendo seguidos. Ela olha pela janela e vê outro carro tentando pará-los. — Mas que merda! — diz, já procurando uma arma de alto calibre dentro da van. — Dá um fim neles. — diz Alonzo com um olhar sombrio. Alonzo gostava de trabalhar com Lara porque não precisava repetir ordens. Ela era competente e fazia o seu trabalho muito bem. Quando a vê pegando uma metralhadora automática, apenas sorri. Aquela era a Lara que ele gostava: bonita e mortal. Lara quebra a janela lateral da van e dispara contra o carro de trás. O veículo perde o controle e sai da estrada, capotando logo em seguida. Mas, antes que pudessem comemorar, outro veículo bate neles, jogando-os para fora da pista. A van derrapa e tomba na beirada da estrada. Lara pragueja enquanto quebra um dos vidros e sai lentamente. Alonzo arrasta o motorista junto, tirando-o da van. Ele vê que Lara também já havia saído — e, pela forma como praguejava, as coisas não ficariam nada boas para quem os havia tirado da estrada. Lara pega a arma no coldre e observa com cuidado. Vê três homens se aproximando. Com disparos certeiros, elimina os três sem dar tempo de revidarem. — Por isso gosto de andar com você. — diz Alonzo, sorrindo enquanto arrasta o motorista. Lara olha para ele e revira os olhos. Sabia que ele poderia ter feito o mesmo sem dificuldade, mas parecia que o braço direito de Dario estava ficando preguiçoso quando estava com ela. — Vamos embora. — diz, caminhando até a pista à frente. Lara vê um veículo se aproximando e entra na frente dele, forçando-o a parar. Quando o motorista desce bravo, Lara sorri ao reconhecer quem era. — Você é louco?! Podia ter morrido! — diz Enrico, zangado. Lara se aproxima e puxa a sua arma, apontando para ele. Ela vê os olhos de Enrico se arregalarem. — Quero o seu carro. — diz ela, engatilhando a arma. Enrico não responde. Apenas encara os olhos da pessoa à sua frente, com certo interesse. Era como se já tivesse visto aqueles olhos antes. A voz também lhe parecia familiar, mas ninguém lhe vinha à mente naquele momento. — Pra que pedir? É só dar um tiro nele. — diz Alonzo, entrando no carro de Enrico e jogando o motorista no banco de trás sem cuidado. — Eu sei. — diz ela, dando de ombros, mas não podia fizer a Alonzo que aquele era seu futuro marido, e não pegaria nada bem atirar nele. Enrico não podia acreditar no que ouvia. Eles agiam como se ele não fosse nada — e, vendo como conversavam, ele percebia que talvez aquilo fosse verdade. Sem questionar, apenas se afasta, permitindo que entrem em seu carro. Lara entra e vê o telefone de Enrico no painel. Ela o pega, dá ré e para ao lado dele. Depois, joga o telefone para o rapaz. — Você é bonitinho demais pra andar a pé. — diz, antes de sair cantando pneu. Enrico apenas fica parado, observando o seu carro de luxo partir.
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