Bati 3 vezes na porta do RH da empresa esperando a permissão. Assim que foi permitido, entrei na sala, encontrei um homem nervoso sentado na mesa olhando os documentos de uma mulher de costas pra mim em pé.
— Eu sinto muito, senhorita Jones, não é culpa minha.
— Tudo bem, só quero saber o que aconteceu — Disse uma voz calma, que eu conheço.
Entrei na sala parando ao lado da mulher.
— Com licença, boa tarde — Olhei para a mulher no meu lado me deixando surpresa— Emily?
— Paris? — Exclamou surpresa — O que faz aqui?
— Estágio, e você? —
— Bom, eu ia fazer estágio aqui, mas houve um pequeno erro. — suspirou — Parece que meu estágio não é aqui.
Ergui a sobrancelha olhando para ela e depois olhando para o homem nervoso parado na nossa frente.
— A senhorita precisa de alguma? — limpou a garganta, tentando deixar a voz firme.
— Como eu disse, estágio.
— Documentos por favor — Entreguei a minha pasta onde consta todos os meus documentos necessários. — Senhorita Jones, aguarde um pouco ali na cadeira por favor.
Observei ele abrir a pasta e pesquisar alguma coisa no notebook na sua frente, vendo as expressões dele mudarem para o desespero.
Suspirei
— Senhorita Gonçalves, sinto muito, houve um equívoco. — Ele levantou da cadeira parando na minha frente — O estágio da senhorita e da senhorita Jones são em Manhattan, Nova York.
Eu respiro fundo, sentindo a minha pele esquentar no colo do meu peito, pelo meu pescoço até o rosto, de raiva, sinto os meus olhos queimando. Se duvidar, estou parecendo uma boneca vermelha soltando fumaça pelas narinas.
— Deixa eu ver se eu entendi... — comecei — Fui à universidade fazer matrículas — Contei levantando um dedo — trouxe minhas coisas — levantei o segundo dedo — O meu carro que está para chegar semana que vem — levantei o terceiro dedo — Só porque vocês tiveram problemas com o sistema? — exasperei indignada.
Senti o homem na minha frente engolir em seco, com os alhos arregalados de medo.
— Eu sinto muito! — ele caiu sentado na cadeira. — Sinto muito.
— Paris — senti alguém colocar a mão no meu ombro, olhei pro lado, era a Emily, que tirou a mão de mim apressada.
Respirei fundo, buscando me acalmar.
— Ok — me acalmei — como resolvemos esse problema? — Olhei para Emily e... Não sei quem é esse cara. Ele é ruivo, usa óculos redondos e veste uma camisa social branca, sem gravata, sobretudo preto por cima e calça jeans.
— Como estava dizendo para senhorita Jones, falei com o diretor, ele disse que já podem ir falar com a diretora da universidade de vocês que vão encaminhar os documentos diretamente para a outra universidade — suspirei aliviada — Quando começar a aula e só ir na diretoria pegar as instruções.
— Obrigada, senhor...?
— Naël, pode me chamar de Naël
Depois de eu me despedir dele e a Emily também, me seguindo para fora da sala.
— A sorte é que eu não desmontei as bagagens. — Sorri aliviada para ela.
— Eu, por outro lado, tenho que organizar tudo para despachar.
— Precisa de ajuda? — Ofereci — Não tenho muita coisa para fazer — dei de ombro
— Eu tenho certeza que você tinha um plano de conhecer a cidade — Pior que é verdade — Não precisa, não é muita coisa.
— Tá bom então, me dá o seu número para mantermos contato. — Dei o meu celular para ela colocar o número dela e liguei para ela salvar o meu.
Paris é um lugar romântico e bem clichê, tudo que eu não sou. Acho que nunca vou experimentar a sensação de um frio na barriga que a Stella sempre conta que tem no livro.
Claro que tive um pequeno crush em alguém quando criança, pelo um dos amigos do meu irmão na infância, quando veio passar uma semana conosco.
Eu lembro que achava ele um garoto mais lindo do mundo.
Paris com 6 anos .....
Senti que alguém estava me observando, olhei para direita e esquerda e para onde o meu irmão mais velho estava e vi que o garoto estava sozinho, no mesmo lugar onde estará com o meu irmão. Quando ele viu que eu estava o olhando de volta ele sorriu para mim, eu lembro que eu senti uma dorzinha na barriga e o meu coração acelerar.
— Você está com uma pequena mancha na buchecha — disse rindo, deixando as covinhas na bochecha.
Passei a mão na buchecha para limpar. Escutei ele gargalhar mais ainda. Ele se aproximou.
— Você só está piorando tudo, Peach! — Ele me estendeu um lenço azul — Você é muito fofa Peach, queria ter uma irmãzinha como você. — Ele bagunçou o meu cabelo e foi embora.
— Ei! — gritei — o que é isso que você me chama?
— É francês — encolheu os ombros — talvez um dia você descubra.
Paris atualmente....
Já faz 14 anos, nem sei o seu nome, se está casado, se o meu irmão ainda fala com ele.
Por que essa lembrança agora? Decido deixar essa lembrança de lado e volto para o passeio.
Estou realizando o meu sonho de conhecer a Catedral de Notre-Dame, eu amava o desenho "O corcunda de Notre Dame" quando criança. Apesar de não ser um conto de fadas iguais às de princesas, ela tem a sua própria essência.
Depois conheci o bairro Saint-Germin des Prés, onde tem bons restaurantes. Depois de conhecer outras áreas, deixei a Torre Eiffel por último, não sei se é porque estou sozinha, porque eu não consigo achar ela mágica. Ela é linda, mas não é o que eu esperava.
— Você vai para Nova York? — Ben ficou surpreso pela notícia.
— Sim — confirmei — O convite foi para Nova York, é onde o CEO da empresa está situado.
— Não pode deixar aí mesmo? — perguntou — O CEO não precisa está por perto dos estagiários.
— Eles disseram que o estágio é ele quem quer ensinar — disse enquanto colocava meu pijama — Ele quer deixar a gente pronta para tomar as rédeas dos projetos, enquanto ele vai abrir a outra filial.
— Certo — ele ficou em silêncio por algum tempo antes de perguntar — Como você está?
— Estou bem — sei o que ele está perguntando, mas estou fingindo que não — Estava p**a com essa situação, odeio mudança de planos.
— Você sabe que não é disso que estou falando anjo.
— Como ele está? — perguntei de uma vez.
— Indo — Reviro os olhos
— Ele ainda está espumando pela boca? — ele me olhou como se eu fosse louca
— Quem você acha que ele é, cachorro? — zombou
— Parece que eu sou a c****a no cio precisando de macho.
— Mas que metáfora horrível — Ele gargalhou tanto, me fazendo gargalhar junto.— Agora é sério, como você está?
Dei a mesma resposta
— Indo — dei de ombro.