A sala antiga ficou pequena demais para dois corpos cheios de dor. O silêncio entre eles estava vivo, pulsando, quase respirando por conta própria. Dante continuava com a testa encostada na de Selena, os olhos fechados, como se estivesse tentando se sustentar apenas naquele contato frágil. Selena não se movia. Não ousava quebrar aquele equilíbrio precário. Ela sentia o calor dele. Sentia a respiração. Sentia a raiva, o medo, o desejo — tudo misturado e perigosamente perto da superfície. — Eu fico — ela tinha dito. E isso ainda ecoava no peito de Dante como um golpe que não sabia se doía ou aliviava. Ele abriu os olhos devagar. Cinza escuro. Carregados. Desesperados. — Por que você fica? — ele perguntou, quase sem voz. Selena respirou fundo. — Porque você não é o que eu vim

