Dante O corpo ainda respira, mas a alma... não tenho tanta certeza. Há dias sinto o coração lento, como se cada batida custasse mais do que devia. Não dói. Só pesa. Selena diz que é o cansaço. Mas há algo no fundo dos meus ossos — algo que não é físico. Como se parte de mim tivesse começado a se apagar. E talvez seja exatamente isso: o inferno finalmente se cansou de me possuir, mas, ao ir embora, levou o que eu era. O fogo não aparece mais. A casa está fria, o vento mais forte. As sombras continuam, mas quietas, como se respeitassem o luto. Porque, no fundo, todos sabem — até o inferno sabe — que estou morrendo em silêncio. Selena tenta esconder o medo. Fala sobre flores, sobre reconstruir o teto, sobre o mar. Mas os olhos dela já choram antes de a boca sorrir. E eu a amo

