Quando o Vento Fala com o Fogo

1265 Words

Selena O tempo passou, mas ele ainda está aqui. Não no corpo, não na voz — mas no vento. Quando abro as janelas pela manhã, o ar entra com a mesma temperatura que o toque dele. E quando a lareira se acende à noite, o fogo responde como se o vento o chamasse pelo nome. Talvez eu tenha enlouquecido. Ou talvez tenha aprendido a ouvir o que os vivos costumam ignorar. O inferno, dizem, acabou. Mas eu sei que ele não foi embora. Ele se dissolveu nas coisas simples: no som da madeira queimando, no balançar das flores, na brisa que atravessa as cortinas. É assim que ele fala comigo agora. E, de alguma forma, isso me basta. As pessoas da vila acham estranho que eu ainda viva sozinha aqui. “Essa casa devia ser vendida, Selena”, dizem. “É grande demais, triste demais.” Elas não entende

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