Dante O primeiro som que escuto é o vento. Lento, arranhando as janelas quebradas do hospital como dedos invisíveis. Depois, o som da respiração dela. Calma, constante. Selena está ali, sentada ao meu lado, com os olhos fixos em mim como se vigiasse um milagre. Mas milagres não existem. Só sobrevivências. Tento me mover, mas o corpo não obedece. O peso é estranho — como se não fosse meu. A cabeça lateja, a visão embaça. E, no meio desse torpor, há algo mais: uma presença. Não fora de mim. Dentro. “Senti sua falta.” A voz ecoa na mente como um sussurro arrastado. Fria. Familiar. Luca. Tento afastar, mas ele ri. “Acha que pode me expulsar? Somos o mesmo agora.” Abro os olhos. Selena segura minha mão. — Dante, você me ouve? Assinto, mas o movimento faz o mundo girar. E

