Dante / Luca Selena me observa com medo — e fascínio. O medo é novo. Antes, ela olhava pra mim como quem vê uma salvação possível. Agora, ela olha como quem encara uma ameaça inevitável. E talvez tenha razão. A manhã entra pelas janelas quebradas do hospital, mas não há calor. A luz não toca nada aqui dentro. Nem a mim. Nem a ela. — Dante...? — a voz dela treme, mas o corpo não se move. — Sim. — sorrio. — Ou quase. Dou um passo à frente. Ela recua. O som dos pés dela arranhando o chão me desperta algo antigo, algo que Luca sempre entendeu melhor que eu: o prazer de ser temido. “Viu? Ela sente a diferença.” A voz dele ecoa dentro de mim — não gritando, mas sussurrando. Como um veneno doce. Eu não respondo. Não posso. Se eu responder, ele vence. Mas cada segundo que tent

