Dante O amanhecer chega como uma lembrança que não sei se quero ter. A chuva parou, mas o ar ainda está pesado, carregado de cheiro de terra molhada e fumaça antiga. Selena dorme sobre meu peito, e por um instante — apenas um — o mundo parece em silêncio. Mas o inferno nunca dorme. “Ela vai te destruir.” A voz de Luca ainda ecoa dentro de mim, mais baixa agora, mais íntima. Como se fosse uma segunda respiração. Não importa o quanto eu tente calar, ele continua ali. Esperando. — Você ainda não se cansou? — murmuro. “O inferno não cansa. Ele observa.” Olho para o teto da cabana. A madeira está rachada, o vento passa pelas frestas como um sussurro vivo. Selena se move, o corpo quente e leve. Ela se aninha mais perto, como se inconscientemente tentasse me manter humano. E é por

