Helena Há noites em que o céu parece me observar. As estrelas piscam devagar, quase compassadas,como se respondessem à batida do meu coração. Desde que o vento sussurrou “você é o sopro da eternidade”, algo dentro de mim mudou. Já não sinto o tempo como antes — os dias passam, mas não se acumulam. A casa, o mar, o jardim… tudo parece respirar o mesmo ar que eu. Hoje, ao cair da tarde, o horizonte ficou diferente. O sol mergulhou no mar, mas o fogo dourado que o acompanhava não se apagou. Permaneceu ali, flutuando no ar,como uma pequena chama entre o céu e a água. Fiquei parada na varanda, observando. O vento estava morno, silencioso. E então ouvi — não nas paredes, não nas cinzas, mas no ar. “Helena.” A voz vinha de cima. Suave, mas infinita. Levantei o rosto, e o céu parec

