Helena O mar dorme. Depois da tempestade, o mundo ficou em silêncio. As ondas sussurram baixinho, o vento anda leve, e o sol toca o telhado da casa com a delicadeza de quem beija uma ferida cicatrizada. Desde aquela noite, tudo mudou. Não há mais vozes. Nem fogo aceso sozinho. Nem sonhos que ardem. Mas o calor ficou. Um calor sereno, como o de um coração que aprendeu a bater no ritmo certo. Passei a viver como quem cuida de algo antigo. Varro a casa todas as manhãs, abro as janelas, deixo o vento entrar. As paredes já não gemem, o chão não range. A casa respira, calma. E eu com ela. O jardim, que antes era seco, agora floresce. As flores brotam direto das cinzas, misturando preto e vermelho, como se o passado e o presente tivessem aprendido a conviver. O cheiro é forte, me

