POV DE SAMAEL A batida na porta veio insistente. Seca. Fora de ritmo. Errada para aquele horário. Abri os olhos no mesmo segundo. — Já vou. A frase m*l saiu da minha boca quando o som explodiu de novo. Ding dong. Batidas fortes. Socos agora. Sem paciência. Sem educação. Sem tempo. Puxei a camisa do encosto da cadeira e enfiei os braços às pressas. Abotoei errado o primeiro botão, xinguei baixo, desfiz, refiz. O corpo funcionava no automático, mas a mente já estava em outro lugar. As batidas continuavam. — Já vai! — repeti, mais alto, atravessando o corredor largo da cobertura. E hoje dia eu estava sozinho. Aurora tinha viajado. De novo. Viagem marcada em cima da hora, malas caras, destinos vazios de significado. Sempre alguma boutique nova, algum spa exclusivo, algum eve

