POV: Hannah Beatriz Montenegro Ele me conduziu pela delegacia. Sem tocar em mim. Sem pressa. Como quem já tinha decidido que eu não ia sair dali tão cedo. O corredor era estreito, iluminado demais. O som das botas dele batendo no chão ecoava seco, calculado. Gente passando rápido, vozes baixas, teclados batendo, o barulho distante de uma impressora cuspindo papel. Olhares curiosos que vinham e iam como lâminas rápidas, afiadas, curiosidade misturada com julgamento. Aquela não era a primeira vez que eu andava ao lado de Nathanael por um corredor. Mas era a primeira em que eu sentia que cada passo nos afastava irreversivelmente de quem já fomos. Ele abriu uma porta de vidro fosco e indicou com o queixo. — Senta aí. A sala era grande. Grande de um jeito calculado. Nada ali era ex

