O CEO que roubou os nossos corações
Estava um dia chuvoso em Bangkok quando um grupo de alunos do ensino médio apareceu. Eram viagens pra conhecer faculdades e decidir qual mais se adequava a eles. Guarda-chuvas coloridos abriam e fechavam na calçada molhada. O cheiro de asfalto molhado misturado com comida de rua entrava pelas janelas do ônibus escolar.
Foi aí que conhecemos um dos nossos protagonistas: *Cal*
Alto, pele morena, cabelo preto sempre bagunçado. Olhos castanhos que brilhavam quando falava de circuitos e fios. Tímido, mas com um sorriso que aparecia fácil quando tava animado. Filho de Chiang Mai, com sotaque carregado e o coração batendo mais rápido que motor.
Acompanhado do seu melhor amigo *Gem*
Gem era o oposto: pele clara, cabelo castanho cortado na régua, postura de quem nasceu pra liderar. Olhar confiante, mandíbula marcada, e aquele jeito calado que fazia todo mundo prestar atenção. O tipo de cara que não fala muito, mas quando fala, Cal escuta.
Os dois com o mesmo plano na cabeça - fazer Engenharia Elétrica.
Entraram no prédio da faculdade e se apaixonaram no primeiro segundo. Laboratório moderno, corredores gigantes, tudo cheirando a futuro. Passaram horas explorando. Tocaram em cada máquina, leram cada placa na parede. Bangkok parecia outro planeta pros dois garotos de Chiang Mai.
Até que, tarde da noite, se juntaram e foram direto pra casa. A chuva tinha parado, mas as ruas ainda brilhavam.
No caminho, Cal não parava de falar. Pros olhos dele, Bangkok era outro mundo. Contou pro pai, em Chiang Mai, cada detalhe do que tinha visto. A voz dele tremia de animação.
Cal: Pai, tu tinha que ver o laboratório! Tem máquina que eu nem sei o nome ainda.
A ligação caiu antes do pai responder. Cal sorriu sozinho. Saudade apertava, mas o sonho falava mais alto.
Dias depois, Cal e Gem partiram de verdade. Longe da terra natal, longe de Chiang Mai. As malas pesavam, mas o peito pesava mais.
Antes do ônibus sair, fizeram uma promessa com o punho cerrado. Bateram punho com punho, igual faziam desde os 10 anos.
_"Não importa o que aconteça. A gente sempre vai ser amigos."_
Gem: Promete?
Cal: Prometo. Nem Bangkok separa a gente.
O motor do ônibus roncou. Chiang Mai ficou pra trás pela janela. Cal encostou a testa no vidro frio e pensou: "E agora, começa."
Chegando na faculdade, os dois foram abordados por uma voz suave atrás deles.
*Keynia*: Oi! Eu sou a vossa mentora Keynia, responsável por vos mostrar a escola.
Os dois viraram. E travaram.
Keynia. 1,70m de perna longa, pele caramelada e cabelo cacheado preso num coque bagunçado. Lábios vermelhos, óculos de aro fino, e um jaleco branco que ela usava como se fosse vestido de gala. Voz aveludada, postura de quem nasceu pra mandar, e uma beleza que dava nó na garganta. A menina mais cobiçada do curso de Engenharia.
Cal e Gem, com o queixo no chão, responderam em coro: Prazer, Keynia!
Cal: Eu sou o Cal. E ele é o Gem.
Estenderam a mão pra ela, tentando manter a compostura. Não funcionou. A mão de Cal suava. A de Gem tremeu 1 segundo.
Keynia sorriu. Um sorriso que sabia do efeito que causava.
Keynia: Vem, meninos. Vou mostrar onde vocês vão viver os próximos anos.
Keynia os guiou pelo campus até os quartos. Apontou cantina, biblioteca, laboratório noturno. Só se despediram quando descobriram que... não iam dividir o mesmo quarto.
Gem: Quarto 145.
Cal: Quarto 123.
Os dois se olharam. A promessa do punho cerrado ecoou na cabeça.
Gem: Te vejo no jantar, Cal.
Cal: Te vejo, mano.
Cal foi pro seu: _Quarto 123_. Respirou fundo antes de girar a maçaneta. Abriu a porta e deu de cara com o colega de quarto:
*Lugs*
Lugs. Mesma altura que Cal, corpo mais seco, cabelo platinado espetado e sorriso torto de desafio. Camiseta listrada, fone no pescoço, cheiro de café e rebeldia. O tipo de cara que entra numa sala e muda o clima.
Mas por trás daquela embalagem de bad boy... existia um nerd. Tímido, desajeitado com palavras. O tipo que todo mundo julga errado.
Cal: Prazer, Cal...
Lugs não respondeu de imediato. Olhou pro lado, mexendo no fone. Não sabia como reagir. Dedo batendo na perna, nervoso.
Cal coçou a nuca, tentando quebrar o gelo:
Cal: Sou novo aqui e não quero te dar trabalho. Eu fico com a cama da janela e tu ficas nessa aí do canto, pode ser?
Lugs só assentiu com a cabeça. Curto. Seco.
Cal sorriu, insistindo:
Cal: Qual é o teu nome?
Lugs: Ahhh... Lugs. Desculpa parecer meio seco, mas não sou bom com palavras. E tu... o que te trouxe pra cá?
Cal ficou pensativo. Não esperava tanta sinceridade logo de cara. Se aproximou um pouco mais:
Cal: A paixão. A mesma paixão que eu e meu melhor amigo carregamos dentro de nós... ser engenheiros.
Lugs ergueu os olhos por 1 segundo. Só 1 segundo. Tempo suficiente pra Cal perceber que tinha algo mais por trás daquele cabelo platinado.
Foi quando a lâmpada do quarto piscou. Apagou. Piscou de novo.
Cal olhou pro teto, confuso.
Cal: Acho que o fio tá solto. Quer que eu chame a manutenção?
Lugs riu. Curto, sem humor. Desceu da cama de um pulo.
Lugs: Manutenção demora 3 dias.
Pegou uma chave de f***a da gaveta como se fosse extensão da mão. Abriu o painel da parede em 2 segundos. Fios pra todo lado. Sem pedir permissão, sem explicação.
Cal se aproximou, curioso:
Cal: Tu manja disso?
Lugs torceu um fio, ligou outro, fez ponte com um clipe. Mão firme, olhar focado. Zero de timidez agora.
Lugs: Manjo de tudo que ninguém acha que eu manjo.
A lâmpada acendeu. Forte. Estável. Sem piscar mais.
Cal abriu a boca, mas não saiu som.
Cal: Como... como tu fez isso tão rápido?
Lugs subiu de volta na cama, colocou o fone no ouvido. Deu de ombros como se fosse nada.
Lugs: Cara de bad boy, né? Ninguém acredita.
Virou pro lado e fechou os olhos. Como se nada tivesse acontecido.
Cal ficou ali, olhando pro teto agora aceso. Pro cara de cabelo platinado roncando de leve.
Pela primeira vez desde que saiu de Chiang Mai... ele pensou:
"Esse quarto vai ser um problema."
*Do outro lado do corredor*, enquanto Cal e Lugs quebravam o gelo, Keynia guiava Gem até o Quarto 145.
Gem caminhava com cara de insatisfação. Queria dividir o quarto com o melhor amigo. A promessa do punho cerrado ainda latejava no peito.
Keynia parou na frente da porta 145.
Keynia: Aqui é o teu quarto, Gem. Teu colega já chegou.
Gem abriu a porta bruscamente. Sem bater.
Lá dentro, o colega de quarto pulou da cama assustado.
Colega: Eh eh! Amigo, que foi isso?
Gem: Desculpa...
Assentiu com a cabeça, sem graça. Depois começou a se explicar:
Gem: Tô de mau humor. Pensei que ia dividir o quarto com meu melhor amigo.
O colega riu, tentando acalmar o clima.
Herd: Não faz m*l, mano. Relaxa.
E foi aí que Gem reparou nele de verdade.
*Herd*
Mesma altura que Gem, mas com ombros mais largos e postura de atleta. Pele morena, cabelo cacheado baixo, degradê nas laterais. Barba por fazer de 3 dias, sorriso malvado de canto e olhos amendoados que avaliavam tudo em silêncio. Camiseta de time justa, calça de moletom, e um relógio grande no pulso esquerdo. Cheiro de desodorante forte e confiança.
O tipo de cara que entra na quadra e todo mundo passa a bola pra ele. Líder nato, mas com um brilho nos olhos de quem adora provocar.
Gem cruzou os braços, ainda emburrado:
Gem: Aham... Já ia me esquecendo. Eu sou o Gem. Prazer...
Herd estendeu a mão. Aperto firme, demorado. Sorriso malvado só aumentou.
Herd: Aqui, Herd. Teu novo colega de quarto. Arrume tuas coisas porque daqui a nada é o almoço. Aí tu pode ir com teu melhor amigo.
Gem revirou os olhos, mas pegou a mala.
Gem: Tá, tá, tá...
Porta 145 fechou. Dois quartos. Dois começos. Zero amigos juntos.
Passos no corredor. Saltos altos ecoando no piso frio.
O Gem e Herd ainda olhavam pro teto quando a sombra de alguém parou na frente do Quarto 145.
*Keynia*
Ela apareceu na porta sem bater. Jaleco branco, óculos de aro fino deslizando no nariz. Lábios vermelhos curvados num sorriso que Gem não sabia decifrar.
Gem fingiu que arrumava as suas roupas e não estava escutando a porta. Virou pro lado, e o Herd foi quem abriu a porta.
Keynia cruzou os braços na porta e encarou Gem. E com voz baixa, só pra ele ouvir ela disse:
Keynia: Gem... a gente precisa conversar. Agora.
O coração de Gem batia forte...
Herd ouviu a frase da Keynia. "motivo de você não estar no Quarto 123".
Ele levantou da cama de um pulo. Sorriso malvado sumiu.
Herd: Conversa de mentora? Então conversa. Eu não sou babá.
Saiu de forma curta e grossa. Porta bateu atrás dele. Forte.
O quarto ficou em silêncio. Só Gem e Keynia agora.
Keynia se ajeitou na porta. Tirou os óculos, limpou com o jaleco. Parecia que respirava pela primeira vez. Ficou à vontade pra falar.
Keynia: Gem... minha amiga Jennifer queria almoçar com você e com o Cal. Pode ser?
Pedia com uma voz doce, gentil. Do tipo que quase não dá pra recusar.
Gem piscou, confuso. A tensão da frase anterior ainda batia no peito dele.
Gem: Jennifer? A gente nem conhece ela.
Keynia sorriu. Dessa vez o sorriso alcançou os olhos.
Keynia: Esse será melhor momento para poder conhecer ela. Antes de Cal e Gem chegarem, eu tava com ela na entrada do campus.
*Jennifer*
1,65m, magra, cabelo loiro mel preso em trança lateral frouxa. Mechas mais claras na ponta, como se o sol de Bangkok tivesse pintado fio por fio. Pele clara com sardas leves espalhadas no nariz e bochecha. Vestido azul celeste simples, de algodão, mas caindo perfeito no corpo. Olhos mel, grandes, que piscam devagar quando tá prestando atenção em você. Sorriso fácil, que aparece antes das palavras. Voz baixa, jeito de menina de interior. Cheiro de baunilha e livro velho.
Aparenta ser frágil. Até abrir a boca. Quando fala de Engenharia, os olhos mudam. Ficam afiados, calculistas. É a nerd que todo mundo subestima até ela resolver no quadro o que professor não resolveu .
Keynia se aproximou 1 passo. Voz baixa de novo, só pra ele ouvir:
Keynia: Tu topa?
[Fim do 1° Capítulo]