Aos poucos, o choro de Marcela foi diminuindo dentro da boca. O rádio continuava chiando do lado de fora, o movimento seguia como sempre, mas ali dentro parecia que o mundo tinha ficado menor — reduzido ao espaço entre ela e Sombra. Ela ainda tremia, as lágrimas ainda caiam. Os dedos agarrados na camisa dele, a respiração irregular contra o peito firme. O medo não tinha ido embora completamente, mas já não estava dominando tudo. Sombra segurava o celular dela em uma mão, a outra ainda apoiada nas costas dela. — Ele não sabe onde você tá — disse baixo, firme. — Ele tá tentando te assustar. Marcela assentiu, mas o corpo ainda reagia como se o perigo estivesse ali na porta. Ela vestia um pijama curto de alcinha, o tecido fino marcando o corpo, completamente inadequado para estar no meio

