Na Pedra Oca, Corvo não estava apenas irritado. Ele estava obcecado. Dois dias. Dois dias sem ver Marcela passar pela principal, sem o cabelo loiro balançando na viela três, sem aquele olhar que misturava medo e desafio. Ele não aceitava ser ignorado. Estava sentado no terraço improvisado quando chamou um dos vapores mais antigos. — Tu tem contato daquela loira da faxina? — perguntou sem rodeios. O vapor hesitou. — Da Marcela? — Quantas loiras tem aqui que trabalham com faxina? — Corvo rebateu, impaciente. O rapaz coçou a cabeça. — Eu acho que tenho o número… uma vez ela passou pra minha prima, coisa de trabalho. — Então acha. O vapor puxou o celular, mexendo rápido, nervoso. Alguns segundos depois, mostrou a tela. — Tá aqui. Corvo pegou o telefone da mão dele sem pedir. Sal

