Helena achou que a rotina fosse curar o que o susto tinha deixado para trás. Acreditou que, quando o corpo do filho melhorasse, o resto também entraria no eixo. Rotina sempre foi a forma que ela encontrou de não enlouquecer. Acordar cedo, arrumar a casa, preparar a mochila pequena do Murilo, separar a roupinha da creche, conferir se o remédio ainda estava na bolsa. Tudo feito com o cuidado de quem aprendeu cedo que não podia errar. Murilo acordou sorridente naquela manhã. Os olhinhos ainda um pouco caídos, mas sem febre. Comeu bem, pediu colo, brincou com o carrinho favorito no chão da sala. Helena observava cada movimento como quem vigia um milagre frágil demais para confiar totalmente. Mesmo assim, respirou fundo quando o termômetro marcou normal. Beijou a testa do filho, ajeitou o cabe

