QUANDO O PASSADO, VEM A TONA

1569 Words

Helena percebeu que algo estava errado no instante em que o médico voltou para a sala com o semblante pesado demais para quem traz solução. Não era desespero, não era urgência explícita — era pior. Era aquela expressão cuidadosa de quem sabe que a próxima frase vai mudar tudo. — Helena… — ele chamou, fechando a porta atrás de si. — Vamos conversar. Ela já estava sentada, Murilo no colo, o corpinho quente demais mesmo depois do remédio. O menino respirava cansado, os cílios longos tremendo a cada suspiro. Helena segurava a mãozinha dele com força, como se pudesse ancorá-lo ali só com o toque. — Fala logo — disse, a voz firme só por fora. — Eu preciso saber. O médico puxou a cadeira e sentou à frente dela. Colocou a prancheta de lado, num gesto que já dizia que aquela conversa não cabia

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