Eu nunca misturei casa com problema. Nunca. Essa sempre foi minha regra. A boca é trabalho. A rua é decisão. Mulher, quando eu quero, fica do lado de fora da minha rotina. Minha casa sempre foi meu ponto de silêncio. O único lugar onde eu desligo o rádio da cintura, tiro a arma da mesa e consigo pensar sem gente olhando. E, ainda assim, eu subi o morro com a Marcela agarrada nas minhas costas e trouxe ela direto pra cá. Quando eu abri a porta e entrei com ela no colo, senti o peso da escolha antes mesmo de colocar os pés dentro da sala. Não era só carregar o corpo dela. Era carregar o que aquilo significava. Eu fechei a porta com o pé e coloquei ela no chão devagar. Ela olhava em volta como se estivesse entrando num território sagrado. Minha casa tem luxo. Eu sempre quis conforto, nã

