Lúcifer saiu da casa de Helena como quem anda sem sentir o próprio corpo. O portão fechou atrás dele, mas o som ecoou por dentro, batendo no peito, na cabeça, na memória. A rua parecia diferente. Mais estreita. Mais silenciosa. O mundo seguia normal demais para alguém que acabara de descobrir que tinha um filho de um ano e três meses… com o próprio nome. Murilo. Ele entrou no carro e ficou alguns segundos parado, as mãos apoiadas no volante, a testa encostada ali. O coração batia descompassado. Não era raiva. Não era ódio. Era um vazio brutal, um buraco que se abriu de uma vez só, engolindo tudo. Ligou o carro e saiu dirigindo sem pressa, sem música, sem farol alto. As luzes da Babilônia ficaram para trás enquanto ele descia as ruas conhecidas. Cada esquina parecia distante. Cada quilôm

