Helena demorou alguns segundos antes de falar. Não porque faltassem palavras, mas porque aquele instante exigia cuidado, como se qualquer sílaba fora do lugar pudesse quebrar algo frágil demais para ser consertado depois. — Eu vou dar um banho nele — disse por fim, com a voz baixa, já pegando Murilo no colo. — Pra tirar o cheiro do hospital… o suor da febre… essas colas dos esparadrapos. Ela fez uma pausa curta, respirou fundo e completou sem olhar diretamente para Lúcifer, mas deixando claro o limite: — Você pode ficar. Mas com educação. Lúcifer assentiu no mesmo segundo. Não havia ironia, nem deboche, nem aquela postura dura que ele usava no morro. Ali, dentro daquela casa simples, ele parecia deslocado, grande demais para o espaço pequeno, perigoso demais para o silêncio que reinava

