O Morro Pedra Oca estava diferente naquela tarde. Não no movimento — a carga subia, o dinheiro descia, os vapores faziam o giro normal nas vielas — mas no humor do dono. Corvo estava sentado na cadeira de plástico branca, no terraço improvisado que dava visão para quase toda a principal. Camisa aberta até o meio do peito, cordão grosso reluzindo no pescoço, olhar duro. Ele tinha passado a manhã inteira inquieto. Dois dias. Dois dias sem ver Marcela. No começo, ele achou que fosse jogo. Mulher que faz charme, que some para provocar. Ele conhecia esse tipo. Gostava quando resistiam um pouco. Dava mais graça. Mas ela não tinha voltado. E isso começou a incomodar. — Cadê aquela loirinha da viela três? — ele perguntou, sem tirar os olhos do movimento lá embaixo. Os vapores se entreolhar

