O dia amanheceu no Morro do Coroa n***a sem que Lúcifer tivesse, de fato, dormido. Quando abriu os olhos, o teto escuro ainda parecia o mesmo da madrugada, como se a noite tivesse se recusado a ir embora. Ele não soube dizer se tinha cochilado por minutos ou apenas ficado ali, imóvel, encarando o vazio enquanto os pensamentos rodavam em círculos. A casa estava silenciosa demais para quem mandava em um dos morros mais temidos da região. Silêncio nunca foi descanso para ele, era só mais espaço para a memória fazer barulho. O corpo pesava, a cabeça latejava por causa da bebida da noite anterior, mas a dor física era pequena perto da que carregava por dentro havia dois anos. Lúcifer passou a mão pelo rosto, sentindo a barba rala, os olhos ardendo. Virou levemente para o lado vazio da cama e,

