O carro de Lúcifer subiu a ladeira da Babilônia sem pressa. O sol do começo da tarde batia forte nas paredes coloridas das casas, crianças corriam descalças pelas vielas, e o som distante de um funk baixo misturava-se com o barulho de panelas sendo lavadas. Era um morro vivo, diferente do Coroa n***a — menos tenso, menos pesado. Ali ele não era dono. Era visitante. Cobra já tinha avisado na barreira. Quando o carro passou, o vapor apenas levantou o queixo em cumprimento, sem precisar perguntar nada. Respeito existia, mas não submissão. Lúcifer gostava disso. Ele estacionou próximo à casa de Helena, desligou o motor e pegou o celular. — Cheguei. — Posso pegar a chave? A resposta veio quase imediata. — Tô no postinho ainda. — Passa aqui e eu te entrego. Ele não pensou duas vezes. De

