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FICA COMIGO

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Bella Vernôn é a capitã das líderes de torcida. Lorenzo Crakauer é o capitão do time. No colégio, eles são o casal perfeito aos olhos de todos, exceto para eles mesmos.Entre provocações, orgulho, ciúmes e uma atração impossível de ignorar, Bella e Lorenzo vivem uma guerra constante que esconde sentimentos muito mais profundos do que estão dispostos a admitir.Mas quando a linha entre amizade, desejo e amor começa a desaparecer, eles descobrem que algumas pessoas entram na sua vida para virar tudo de cabeça para baixo.E algumas valem a pena lutar para manter por perto.Porque, às vezes, tudo o que o coração quer dizer é: FICA COMIGO. ❤️

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Capítulo 1. A final ( Lorenzo )
Lorenzo Crakauer🏈 O cheiro de grama, suor e fita adesiva enchia o vestiário. Eu estava sentado no banco de madeira, os cotovelos apoiados nos joelhos, enquanto terminava de ajustar as luvas. Ao meu redor, ninguém falava muito. Era engraçado. Durante a semana inteira, aqueles caras eram incapazes de ficar cinco minutos em silêncio. Agora? Pareciam soldados esperando uma batalha. O som dos armários se fechando ecoava pelo ambiente. Alguém batia a chuteira no chão. Outro respirava fundo. E no centro de tudo, o técnico caminhava de um lado para o outro. — Olhem pra mim. A voz dele cortou o silêncio imediatamente. Todos levantaram a cabeça. Inclusive eu. O treinador parou diante do quadro tático. — Em quinze minutos vocês entram naquele campo.—ele apontou para a porta que dava acesso ao túnel.— Quinze minutos. Ninguém se mexeu. — Do outro lado está o melhor time que enfrentamos esse ano. Alguns jogadores trocaram olhares. Era verdade. Os Ravens tinham passado a temporada inteira atropelando adversários. Ataque forte. Defesa brutal. E um quarterback que parecia ter sido criado em laboratório. O técnico continuou. — Eles são rápidos.—apontou para uma marcação no quadro.— São disciplinados e são arrogantes pra caramba. Alguns risos nervosos surgiram. — Porque todo mundo passa o ano inteiro dizendo como eles são incríveis. Ele então bateu a mão no peito. — Mas ninguém chegou até a final por acidente. O vestiário ficou ainda mais silencioso. — Vocês trabalharam por isso. — Sim, senhor! — alguém respondeu. — Não ouvi! — SIM, SENHOR! O treinador assentiu. Os olhos dele passaram por cada jogador. Até pararem em mim. — Lorenzo. Endireitei as costas. — Sim, senhor. — Levanta. Obedeci. Com meus 1,97 de altura, fiquei acima da maioria dos caras do time. O treinador apontou para mim. — Este moleque aqui passou os últimos três anos carregando essa equipe. Meu estômago se apertou, merda, odeio quando fazem isso. — Capitão dentro e fora do campo. Alguns jogadores começaram a bater os punhos nos armários. — Quando vocês estiverem cansados, olhem para ele. Mais batidas. — Quando estiverem perdendo, olhem para ele. Mais forte. — Quando acharem que não conseguem mais correr, olhem para ele. BUM. BUM. BUM. Os armários vibravam. Eu sentia a energia do ambiente crescendo. O treinador deu um passo para trás. — Lorenzo, fala com seu time. Droga. Eu preferia enfrentar três linebackers ao mesmo tempo do que fazer discurso. Mas aqueles caras estavam olhando para mim. Todos eles. Meu time. Meus irmãos. Respirei fundo. Passei os olhos pelo vestiário. Pelos veteranos. Pelos novatos. Pelos caras que chegaram chorando nos treinos de pré-temporada. Pelos que pensaram em desistir. E continuei olhando. — Ninguém lembra quem ficou em segundo lugar. Silêncio absoluto. — Daqui a algumas horas ninguém vai lembrar das estatísticas. Ninguém piscava. — Ninguém vai lembrar das previsões. Dei um passo à frente. — Só vão lembrar de quem levantou o troféu. As batidas voltaram. Mais fortes. — Então quando entrarem naquele campo... — Corram até não conseguirem respirar. — Lutem por cada jarda. — E quando o relógio zerar... Levantei o capacete. — Façam eles se arrependerem de terem cruzado nosso caminho. O vestiário explodiu. Gritos. Socos nos armários. Capacetes erguidos. Adrenalina pura. O técnico sorriu pela primeira vez naquela tarde. — É disso que eu estou falando! Todos se levantaram. Eu coloquei o capacete. O coração martelava dentro do peito. A final. A última partida da temporada. Do lado de fora, a torcida rugia como uma tempestade. O coordenador abriu a porta do túnel. A luz do estádio invadiu o vestiário. E, pela primeira vez naquela noite, senti um sorriso surgir. — Vamos buscar esse título. Então atravessei a porta. E o estádio inteiro explodiu quando o capitão entrou em campo. O barulho me atingiu como uma parede. Assim que coloquei os pés no túnel, o rugido da torcida se tornou ensurdecedor. Milhares de vozes. Apitos. Tambores. Gritos. Meu coração acompanhava o ritmo de tudo aquilo. BUM. BUM. BUM. Atrás de mim, o time inteiro avançava. Capacetes batendo. O som das travas das chuteiras contra o chão. Respirações pesadas. Eu podia sentir a tensão deles. Mas também podia sentir algo mais. Fome. Vontade. Confiança. O coordenador ergueu a mão. — Em posição! Nos alinhamos. Eu na frente. Como capitão. O resto do time atrás de mim. O rugido da torcida aumentava a cada segundo. Era como se o estádio inteiro estivesse tremendo. Olhei para os lados. Os banners da escola balançavam. As líderes de torcida agitavam pompons nas laterais. Os refletores iluminavam o gramado perfeitamente verde. Lá fora, os narradores já anunciavam nossa entrada. — E agora... A voz ecoou pelos alto-falantes. — O atual campeão estadual entra em campo! A torcida explodiu. Meu estômago se contraiu. Adrenalina. Pura e simples. O coordenador apontou para frente. — Vão! E nós fomos. Corremos pelo túnel. A luz tomou conta da minha visão por um instante. Então o estádio apareceu. Completo. Gigante. Vivo. A arquibancada parecia uma muralha de gente. Bandeiras agitadas. Cartazes. Cores da escola por todos os lados. O som era tão alto que eu m*l conseguia ouvir meus próprios pensamentos. Quando atravessei a linha lateral, ergui um braço. A resposta veio imediatamente. Um grito ainda mais forte. Sorri sem perceber. Aquilo nunca envelhecia. Nunca. Corri até a linha de quarenta jardas enquanto o restante do time se espalhava pelo campo. Os fogos de artifício dispararam atrás da arquibancada. A fumaça branca subiu ao céu. As luzes piscavam. Os narradores apresentavam cada jogador. Mas minha atenção foi puxada para o outro lado do campo. Os Ravens. Eles já estavam lá. Em formação. Observando. Esperando. O quarterback deles estava perto da linha lateral. Alto. Confiante. Braços cruzados. Quando nossos olhares se encontraram, ele abriu um sorriso. Não um sorriso amigável. Um sorriso provocador. Daqueles que dizem: "Vocês não têm chance." Balancei a cabeça. Sem desviar o olhar. Ele podia acreditar no que quisesse. Daqui a algumas horas, o campo decidiria quem estava certo. Um dos nossos linebackers se aproximou. — Nervoso? Soltei uma risada curta. — Sempre. — Não parece. — Porque se o capitão parecer nervoso, vocês entram em pânico. Ele riu. — Justo, irmão. A banda da escola começou a tocar. Os jogadores foram chamados para o centro do campo. Hora do sorteio inicial. Os capitães dos dois times caminharam até o logo pintado no gramado. Cada passo parecia mais pesado que o anterior. Quando cheguei ao círculo central, o quarterback dos Ravens já me esperava. De perto ele era ainda maior do que parecia. Talvez quase do meu tamanho. Ele estendeu a mão. — Lorenzo Crakauer. — Você fez sua pesquisa. — Todo mundo conhece o capitão dos Wildcats. Apertei sua mão. Firme. Ele apertou de volta. Forte. Nenhum dos dois desviou o olhar. O árbitro começou a explicar as regras do sorteio. Mas eu m*l escutava. Porque naquele instante uma certeza tomou conta de mim. Tudo o que tinha acontecido durante o ano. Todos os treinos. Todas as dores. Todos os sacrifícios. Tudo tinha levado até aquele momento. E agora não existia mais amanhã. Não existia próxima partida. Não existia segunda chance. Só existia aquele campo. Aquela final. E sessenta minutos para descobrir quem seria campeão. ... O primeiro impacto quase arrancou o ar dos meus pulmões. O running back deles recebeu a bola e veio direto na minha direção. Eu me joguei. Capacete contra capacete. O mundo virou um borrão de força, grama e dor. Conseguimos derrubá-lo. Mas ele ainda ganhou cinco jardas. Cinco malditas jardas. Me levantei rapidamente. — Vamos! Vamos! Bati as mãos para chamar a atenção da defesa. Os Ravens voltaram para a linha. Sem perder tempo. Sem hesitar. E era exatamente isso que os tornava perigosos. Eles jogavam como uma máquina. Sem erros. Sem nervosismo. Sem medo. O primeiro quarto passou voando. E o placar não estava do nosso lado. Ravens 7 x 3 Wildcats Nada desastroso. Mas também não era bom. Eu estava ofegante enquanto voltava para a lateral após mais uma campanha defensiva. O coordenador me entregou uma garrafa. — Eles estão explorando o lado esquerdo. Assenti. Eu já tinha percebido. O quarterback deles identificava qualquer pequena falha. Uma fração de segundo. Um posicionamento errado. Uma hesitação. E a bola voava. Era irritante. Porque ele era realmente bom. Nosso ataque voltou para campo. A torcida rugiu. Eu fiquei na lateral observando. Capacete na mão. O quarterback do nosso time, Mason, recebeu o snap. Passou para um recebedor. Primeira descida. Depois outra. Mais algumas jardas. Finalmente começávamos a encontrar ritmo. Os Wildcats avançavam. A arquibancada vibrava. E então... Interceptação. Um silêncio horrorizado tomou conta do nosso lado do estádio. Meu coração afundou. O cornerback dos Ravens roubou a bola no meio da rota e disparou pelo campo. Felizmente foi derrubado antes da end zone. Mas o estrago estava feito. — Droga! Mason chutou o banco ao voltar para a lateral. Ninguém falou nada. Não precisava. Todos sabiam. Aquele erro tinha custado caro. Alguns minutos depois... Ravens 10 x 3 Wildcats Sete pontos de diferença. Nada impossível. Mas o relógio continuava correndo. E a pressão aumentava. Voltei para o campo. Os músculos já queimavam. Suor escorria pelo meu rosto. O quarterback deles bateu as mãos. — Hut! A jogada começou. Passe curto. Eu li o movimento. Corri. Saltei. E acertei o recebedor com tudo. A bola escapou. Incompleto. A torcida enlouqueceu. Finalmente. Alguma energia. Alguma reação. Levantei e bati no peito. — É ASSIM! Os caras da defesa gritaram junto. Pela primeira vez naquela noite, senti os Ravens hesitarem. Só um pouco. Mas hesitaram. Nos minutos finais do segundo quarto conseguimos aproveitar. Nosso ataque finalmente encaixou uma sequência perfeita. Corrida. Passe curto. Corrida. Passe longo. Primeira descida. Primeira descida. Primeira descida. O estádio inteiro estava de pé. Eu observava da lateral, quase sem respirar. Mason recebeu o snap. Recuou. Olhou para a direita. Lançou. A bola cortou o céu noturno. Por um instante pareceu eterna. Então nosso recebedor a agarrou dentro da end zone. TOUCHDOWN. O estádio explodiu. Eu pulei junto com todo mundo. Capacetes voando. Gritos. Abraços. Finalmente estávamos vivos. Mas os Ravens responderam rápido. Rápido demais. Com menos de dois minutos no relógio, avançaram até a linha das vinte jardas. Nossa defesa segurou. Segurou de novo. E mais uma vez. Até forçarmos um field goal. Quando a bola passou entre as traves, senti uma mistura de alívio e frustração. Poderia ter sido pior. Muito pior. O cronômetro marcou os últimos segundos. Os Ravens apenas ajoelharam para encerrar o período. O som do apito ecoou pelo estádio. Fim do primeiro tempo. Olhei para o placar iluminado. Ravens 13 x 10 Wildcats A diferença era de apenas três pontos. Três. Depois de tudo. Depois dos erros. Depois da interceptação. Depois da pressão. Ainda estávamos no jogo. Eu retirei o capacete. O suor pingava do meu queixo. Meu corpo inteiro doía. Mas quando olhei para meus companheiros caminhando em direção ao túnel, percebi a mesma coisa nos olhos deles. Ninguém estava derrotado. Muito pelo contrário. Pela primeira vez naquela noite... Os Ravens pareciam cansados. E isso significava que o segundo tempo poderia ser uma guerra.

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