Mason Reed💥
Emma finalmente tinha parado de tentar se esconder atrás do copo de milk-shake.
O que era ótimo.
Porque eu estava começando a achar que ela pretendia morar ali.
Apoiei os cotovelos na mesa.
— Então... você e Bella são amigas há muito tempo?
O sorriso dela ficou mais suave imediatamente.
Aquele era claramente um assunto que ela gostava.
— Desde os oito anos.
— Tudo isso?
Ela assentiu.
— Nós nos conhecemos no balé.
Eu fiquei alguns segundos em silêncio.
Depois fiz uma expressão séria.
— Nossa que coincidência.
Emma arqueou uma sobrancelha.
— O quê?
— Eu e Lorenzo também nos conhecemos no balé, foi lindo.
Ela me encarou.
— Para de ser i****a.
— É sério.
— Mason.
— Juro.
— Você nunca fez balé.
— Fiz sim.
— Tenho certeza que não.
— Eu fui protagonista do lago dos cisnes, sua invejosa.
Emma começou a rir.
— Você é ridículo.
— Lorenzo era melhor que eu, ele era o cisne n***o.
— Claro que era.
— Os giros dele eram incríveis.
Agora ela estava gargalhando.
E eu m*l conseguia manter a cara séria.
— Tá bom, tá bom — falei, cedendo. — Foram as aulas de futebol.
— Eu sabia.
— Mas teria sido muito mais legal se fosse balé, fala sério.
— Consigo imaginar você de collant.
— Eu ficaria uma delicinha.
— Eu não duvido.
Eu coloquei a mão no peito.
— Crueldade.
Emma sorriu.
— Então vocês se conhecem desde crianças também?
— Quase isso. — Dei de ombros. — Primeiro treino do ensino fundamental. Lorenzo era aquele garoto enorme que parecia que já tinha vinte e cinco anos.
Ela riu.
— Isso continua verdade.
— Exatamente.
— E vocês viraram amigos logo?
— Mais ou menos.
— Mais ou menos?
— Eu achei que ele era um i****a.
— E ele?
— Achou que eu era irritante.
— Concordo com ele.
— Obrigado pelo apoio.
— Estou sendo sincera.
— Entendo que a amizade feminina é construída com ofensas, por isso vou aceitar isso como um elogio vindo de você.
Emma balançou a cabeça, sorrindo.
— E o que aconteceu depois?
— Treinos. Jogos. Suspensões. Algumas brigas.
— Brigas?
— Nada muito sério.
— Isso vindo de você significa absolutamente nada.
— É justo.
Ela riu de novo.
Então apoiou o queixo na mão.
— Comigo e Bella foi diferente.
A voz dela ficou mais tranquila.
— Eu era muito tímida.
— Difícil acreditar.
Ela me lançou um olhar.
— Eu era.
— Tá bom então.
— E no primeiro dia de aula de balé eu fiquei sentada sozinha.
— E Bella apareceu?
Emma assentiu.
Um sorriso nostálgico surgiu em seus lábios.
— Ela sentou do meu lado e começou a falar, falar demais.
— Parece a Bella.
— Ela falou durante a aula inteira.
— Definitivamente parece a Bella.
— Eu acho que não respondi nem metade das coisas.
— Também parece você.
Ela revirou os olhos.
— Mas no final da aula ela perguntou se queria ser amiga dela.
— Assim?
— Assim.
— Sem cerimônia nenhuma?
— Nenhuma.
— Corajosa.
— Bella nunca teve medo de falar com ninguém.
Eu sorri.
Aquilo fazia sentido.
Muito sentido.
Olhei para Emma por um instante.
Ela falava de Bella com um carinho enorme.
Com a naturalidade de quem tinha crescido ao lado de alguém.
Como se a amiga fosse parte da própria história.
E, por algum motivo, gostei de ouvir aquilo.
Gostei de descobrir essas pequenas partes dela.
As versões mais novas da Emma.
A menina tímida do balé.
A garota que fez uma melhor amiga aos oito anos.
A garota que ainda sorria daquele mesmo jeito.
Pequeno.
Discreto.
Bonito.
Ela percebeu que eu estava olhando de novo.
— Você está me encarando de novo.
— Talvez.
— Você faz muito isso.
— Porque você é interessante.
Emma congelou por um segundo.
Só um segundo.
Mas eu vi.
E então ela desviou os olhos para o milk-shake, escondendo um sorriso.
E eu tive que morder a língua para não sorrir igual um i****a de novo.
Emma Carter🩷
Eu devia ter percebido.
Devia ter percebido pela forma como os olhos de Mason brilharam.
Aquele brilho significava problema.
Sempre.
— Então... — ele disse, apoiando o queixo na mão. —menina tímida do balé.
— Hum ?
— Eu aposto que você tinha uma queda por algum garoto, acho que já ouvi uns boatos.
Eu quase revirei os olhos.
— Nossa, que transição horrível de assunto.
— Responde.
— Não.
— Por quê?
— Porque não.
— Porque sim.
— Você tem cinco anos?
— Responde a pergunta, Emma.
Peguei uma batata frita e apontei para ele.
— Não.
— Eu quero uma resposta.
— É a única que você vai receber.
— Então tinha alguém.
— Mason.
— Tinha.
— Mason.
— Tinha né.
— Mason Reed.
— Emma Carter.
Eu fechei os olhos por um segundo.
Insuportável.
Completamente insuportável.
— Tá bom. Talvez tivesse.
O sorriso dele aumentou.
— Eu sabia.
— Você não sabia nada.
— Quem era?
— Não vou falar.
— Era alguém da nossa turma?
— Não vou falar.
— Do balé?
— Não vou falar.
— Do futebol?
— Não vou falar.
— Era bonito?
— Mason.
— Era popular?
— Mason.
— Era incrivelmente charmoso?
— Ninguém é incrivelmente charmoso.
— Eu sou.
— Você é irritante isso sim.
— Isso não respondeu minha pergunta.
Eu gemi e afundei o rosto nas mãos.
Pior erro da minha vida.
Porque agora ele estava se divertindo.
Muito.
— Espera. — Os olhos dele se arregalaram dramaticamente. — Eu conhecia essa pessoa Emma ?
— Não.
Mentira, mentira r**m, ele conhecia muito bem.
— Emma.
— O quê?
— Você mentiu.
— Não menti.
— Mentiu sim.
— Como você sabe?
— Porque você fica olhando para a esquerda quando mente.
Meu coração falhou uma batida.
— Eu não faço isso.
— Faz sim.
— Não faço.
— Faz.
— Para de me analisar.
— É um dom divino.
Ótimo.
Perfeito.
Maravilhoso.
Eu queria me jogar pela janela.
Mason ficou alguns segundos me observando.
Então estreitou os olhos.
— Vai fazer eu falar mesmo ?
Meu estômago afundou.
Não.
Não.
Não.
— Não.
— Emma...
— Não.
— Emma...
— Mason, por favor vai...
— Era alguém da nossa turma ou não ?
— Sim.
— Eu conhecia.
— Sim.
— Você ainda gosta dele ?
— Mason...
O sorriso dele desapareceu aos poucos.
Substituído por uma expressão de pura realização.
Eu vi o momento exato.
O momento exato em que ele teve certeza.
— Não.
Meu rosto pegou fogo.
— Não o quê?
— Não.
— Excelente argumento.
— Emma.
— O quê?
— Era eu né ?
Eu queria morrer.
Ali mesmo.
Naquela mesa.
Na frente de todo mundo.
— Emma.
— Talvez.
— Talvez?
— Talvez.
— Emma.
— Tá bom!
Eu praticamente gritei.
Algumas pessoas olharam.
Ótimo.
Perfeito.
Fantástico.
— Sim! — falei, cobrindo o rosto. — Era você.
Silêncio.
Silêncio absoluto.
Quando criei coragem para olhar, Mason estava me encarando.
Completamente imóvel.
— Você gostava de mim mesmo ?
— No fundamental só.
— Você gostava de mim.
— Eu tinha doze anos!
— Você gostava de mim.
— Para de repetir isso!
— Emma Carter tinha uma queda poooor miiim— ele cantarolou.
— Eu vou embora.
— Não vai não.
— Vou sim.
— Você gostava de mim, não pode ir embora.
— Você está insuportável.
— Isso é a melhor notícia que recebi essa semana, Mason começou a rir.
Não uma risada discreta.
Uma gargalhada completa.
Daquelas que faziam seus ombros tremerem.
— Eu te odeio.
— Geralmente os sentimentos fortes são um pouco confusos, pode acabar confundindo ódio com amor e visse versa.
— Mason!
— Desculpa. — Ele claramente não estava arrependido. — É só que...
Ele balançou a cabeça, ainda sorrindo.
— Naquela época eu não acreditei quando ouvi.
Meu coração bateu mais rápido.
— É... éramos pequenos também.
— Eu achava que você me odiava.
Pisquei.
— O quê?
— Sério.
— Eu não odiava você.
— Você nunca falava comigo.
— Porque eu ficava nervosa.
— Isso jamais faria sentido na minha cabeça.
Pronto.
Agora ele estava sorrindo daquele jeito.
Aquele sorriso suave.
Menos provocador.
Mais... sincero.
E por algum motivo isso era ainda pior.
Porque desde que eu tinha confessado aquilo, Mason não parecia estar tirando sarro.
Ele parecia genuinamente surpreso.
E estranhamente feliz.