Capítulo 16. Eu ?

1420 Words
Mason Reed💥 Emma finalmente tinha parado de tentar se esconder atrás do copo de milk-shake. O que era ótimo. Porque eu estava começando a achar que ela pretendia morar ali. Apoiei os cotovelos na mesa. — Então... você e Bella são amigas há muito tempo? O sorriso dela ficou mais suave imediatamente. Aquele era claramente um assunto que ela gostava. — Desde os oito anos. — Tudo isso? Ela assentiu. — Nós nos conhecemos no balé. Eu fiquei alguns segundos em silêncio. Depois fiz uma expressão séria. — Nossa que coincidência. Emma arqueou uma sobrancelha. — O quê? — Eu e Lorenzo também nos conhecemos no balé, foi lindo. Ela me encarou. — Para de ser i****a. — É sério. — Mason. — Juro. — Você nunca fez balé. — Fiz sim. — Tenho certeza que não. — Eu fui protagonista do lago dos cisnes, sua invejosa. Emma começou a rir. — Você é ridículo. — Lorenzo era melhor que eu, ele era o cisne n***o. — Claro que era. — Os giros dele eram incríveis. Agora ela estava gargalhando. E eu m*l conseguia manter a cara séria. — Tá bom, tá bom — falei, cedendo. — Foram as aulas de futebol. — Eu sabia. — Mas teria sido muito mais legal se fosse balé, fala sério. — Consigo imaginar você de collant. — Eu ficaria uma delicinha. — Eu não duvido. Eu coloquei a mão no peito. — Crueldade. Emma sorriu. — Então vocês se conhecem desde crianças também? — Quase isso. — Dei de ombros. — Primeiro treino do ensino fundamental. Lorenzo era aquele garoto enorme que parecia que já tinha vinte e cinco anos. Ela riu. — Isso continua verdade. — Exatamente. — E vocês viraram amigos logo? — Mais ou menos. — Mais ou menos? — Eu achei que ele era um i****a. — E ele? — Achou que eu era irritante. — Concordo com ele. — Obrigado pelo apoio. — Estou sendo sincera. — Entendo que a amizade feminina é construída com ofensas, por isso vou aceitar isso como um elogio vindo de você. Emma balançou a cabeça, sorrindo. — E o que aconteceu depois? — Treinos. Jogos. Suspensões. Algumas brigas. — Brigas? — Nada muito sério. — Isso vindo de você significa absolutamente nada. — É justo. Ela riu de novo. Então apoiou o queixo na mão. — Comigo e Bella foi diferente. A voz dela ficou mais tranquila. — Eu era muito tímida. — Difícil acreditar. Ela me lançou um olhar. — Eu era. — Tá bom então. — E no primeiro dia de aula de balé eu fiquei sentada sozinha. — E Bella apareceu? Emma assentiu. Um sorriso nostálgico surgiu em seus lábios. — Ela sentou do meu lado e começou a falar, falar demais. — Parece a Bella. — Ela falou durante a aula inteira. — Definitivamente parece a Bella. — Eu acho que não respondi nem metade das coisas. — Também parece você. Ela revirou os olhos. — Mas no final da aula ela perguntou se queria ser amiga dela. — Assim? — Assim. — Sem cerimônia nenhuma? — Nenhuma. — Corajosa. — Bella nunca teve medo de falar com ninguém. Eu sorri. Aquilo fazia sentido. Muito sentido. Olhei para Emma por um instante. Ela falava de Bella com um carinho enorme. Com a naturalidade de quem tinha crescido ao lado de alguém. Como se a amiga fosse parte da própria história. E, por algum motivo, gostei de ouvir aquilo. Gostei de descobrir essas pequenas partes dela. As versões mais novas da Emma. A menina tímida do balé. A garota que fez uma melhor amiga aos oito anos. A garota que ainda sorria daquele mesmo jeito. Pequeno. Discreto. Bonito. Ela percebeu que eu estava olhando de novo. — Você está me encarando de novo. — Talvez. — Você faz muito isso. — Porque você é interessante. Emma congelou por um segundo. Só um segundo. Mas eu vi. E então ela desviou os olhos para o milk-shake, escondendo um sorriso. E eu tive que morder a língua para não sorrir igual um i****a de novo. Emma Carter🩷 Eu devia ter percebido. Devia ter percebido pela forma como os olhos de Mason brilharam. Aquele brilho significava problema. Sempre. — Então... — ele disse, apoiando o queixo na mão. —menina tímida do balé. — Hum ? — Eu aposto que você tinha uma queda por algum garoto, acho que já ouvi uns boatos. Eu quase revirei os olhos. — Nossa, que transição horrível de assunto. — Responde. — Não. — Por quê? — Porque não. — Porque sim. — Você tem cinco anos? — Responde a pergunta, Emma. Peguei uma batata frita e apontei para ele. — Não. — Eu quero uma resposta. — É a única que você vai receber. — Então tinha alguém. — Mason. — Tinha. — Mason. — Tinha né. — Mason Reed. — Emma Carter. Eu fechei os olhos por um segundo. Insuportável. Completamente insuportável. — Tá bom. Talvez tivesse. O sorriso dele aumentou. — Eu sabia. — Você não sabia nada. — Quem era? — Não vou falar. — Era alguém da nossa turma? — Não vou falar. — Do balé? — Não vou falar. — Do futebol? — Não vou falar. — Era bonito? — Mason. — Era popular? — Mason. — Era incrivelmente charmoso? — Ninguém é incrivelmente charmoso. — Eu sou. — Você é irritante isso sim. — Isso não respondeu minha pergunta. Eu gemi e afundei o rosto nas mãos. Pior erro da minha vida. Porque agora ele estava se divertindo. Muito. — Espera. — Os olhos dele se arregalaram dramaticamente. — Eu conhecia essa pessoa Emma ? — Não. Mentira, mentira r**m, ele conhecia muito bem. — Emma. — O quê? — Você mentiu. — Não menti. — Mentiu sim. — Como você sabe? — Porque você fica olhando para a esquerda quando mente. Meu coração falhou uma batida. — Eu não faço isso. — Faz sim. — Não faço. — Faz. — Para de me analisar. — É um dom divino. Ótimo. Perfeito. Maravilhoso. Eu queria me jogar pela janela. Mason ficou alguns segundos me observando. Então estreitou os olhos. — Vai fazer eu falar mesmo ? Meu estômago afundou. Não. Não. Não. — Não. — Emma... — Não. — Emma... — Mason, por favor vai... — Era alguém da nossa turma ou não ? — Sim. — Eu conhecia. — Sim. — Você ainda gosta dele ? — Mason... O sorriso dele desapareceu aos poucos. Substituído por uma expressão de pura realização. Eu vi o momento exato. O momento exato em que ele teve certeza. — Não. Meu rosto pegou fogo. — Não o quê? — Não. — Excelente argumento. — Emma. — O quê? — Era eu né ? Eu queria morrer. Ali mesmo. Naquela mesa. Na frente de todo mundo. — Emma. — Talvez. — Talvez? — Talvez. — Emma. — Tá bom! Eu praticamente gritei. Algumas pessoas olharam. Ótimo. Perfeito. Fantástico. — Sim! — falei, cobrindo o rosto. — Era você. Silêncio. Silêncio absoluto. Quando criei coragem para olhar, Mason estava me encarando. Completamente imóvel. — Você gostava de mim mesmo ? — No fundamental só. — Você gostava de mim. — Eu tinha doze anos! — Você gostava de mim. — Para de repetir isso! — Emma Carter tinha uma queda poooor miiim— ele cantarolou. — Eu vou embora. — Não vai não. — Vou sim. — Você gostava de mim, não pode ir embora. — Você está insuportável. — Isso é a melhor notícia que recebi essa semana, Mason começou a rir. Não uma risada discreta. Uma gargalhada completa. Daquelas que faziam seus ombros tremerem. — Eu te odeio. — Geralmente os sentimentos fortes são um pouco confusos, pode acabar confundindo ódio com amor e visse versa. — Mason! — Desculpa. — Ele claramente não estava arrependido. — É só que... Ele balançou a cabeça, ainda sorrindo. — Naquela época eu não acreditei quando ouvi. Meu coração bateu mais rápido. — É... éramos pequenos também. — Eu achava que você me odiava. Pisquei. — O quê? — Sério. — Eu não odiava você. — Você nunca falava comigo. — Porque eu ficava nervosa. — Isso jamais faria sentido na minha cabeça. Pronto. Agora ele estava sorrindo daquele jeito. Aquele sorriso suave. Menos provocador. Mais... sincero. E por algum motivo isso era ainda pior. Porque desde que eu tinha confessado aquilo, Mason não parecia estar tirando sarro. Ele parecia genuinamente surpreso. E estranhamente feliz.
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