Capitulo 111 / 112 Continuação

1493 Words

O silêncio que tomou conta do ateliê depois que eu soltei aquela bomba era um bagulho cortante, papo de cinema, dava pra ouvir até o barulho do cartão preto batendo no chão de mármore. A Estela parecia uma estátua de gelo, as mãos ainda em posição de defesa perto do peito, e o olhar dela saltava de mim pro cartão no chão como se estivesse tentando decifrar um código de morte, uma sentença que ela não queria assinar. Ela deu um passo atrás, as pernas bambas feito gelatina, batendo com as costas direto na tela onde tinha acabado de me pintar, manchando a própria obra com a tinta fresca. — Herdeira de quê, Marlon? — a voz dela saiu esganiçada, um sopro de desespero que me deu um nó no juízo. — Do que você tá falando, pelo amor de Deus? Eu sou filha do Renato e da Lídia! Eu cresci no Leblon!

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