AS CORES DA VERDADE NARRAÇÃO: ESTELA Saí do banho sentindo a água ainda quente pulsar na minha pele, como se cada gota tentasse desesperadamente lavar a confusão que estava instalada na minha mente. Vesti uma das calças de moletom cinza e uma camiseta de algodão branca, peças simples, básicas, que não tinham o peso sufocante e pretensioso das sedas da Luna. Me olhei no espelho por um longo tempo e prendi o cabelo num coque firme, tentando, de alguma forma, colocar ordem no caos que eu havia me tornado. Eu não era mais a mesma de ontem; havia algo de novo no meu olhar, uma profundidade, uma sombra de maturidade que só o toque de um homem como o Marlon com toda aquela sua intensidade bruta e, ao mesmo tempo, protetora poderia ter esculpido em mim. Desci as escadas em silêncio absoluto, se

