Eu abri os olhos bem devagar, sentindo um peso quente e reconfortante sobre o meu corpo. Era um braço pesado, todo fechado em tatuagens escuras e traços fortes, me prendendo ali, no meio daquele abraço, como se eu fosse o tesouro mais precioso e frágil que ele já teve nas mãos. O sol já estava entrando com força pela fresta da cortina, desenhando linhas de luz no mármore, e no momento exato em que meu cérebro processou onde eu estava e com quem eu estava, meu coração deu um solavanco tão violento que eu achei que ele ia saltar pela boca e sair batendo pelas paredes. — Meu Deus, o que foi que eu fiz? — sussurrei para o nada, sentindo o pânico começar a formigar na ponta dos dedos. As imagens da noite passada vieram como uma avalanche, uma atrás da outra, sem nenhum filtro: o toque dele, o

