A água do chuveiro parou de cair, mas o silêncio que ficou no banheiro era carregado, papo de dar pra cortar com uma faca. Eu peguei a toalha, secando o corpo dela com uma calma que eu nem sabia que existia dentro de mim, um cuidado que eu nunca dispensei pra ninguém nessa vida de cão. Depois, peguei a Estela no colo de novo, sentindo a leveza dela contra a minha força, e levei a mina de volta pro meu quarto. Coloquei ela de pé bem ali no meio daquela bagunça que era o meu refúgio, o meu castelo de guerra, e a primeira coisa que fiz foi arrancar o lençol manchado da cama. Joguei aquela fita direto no cesto de roupa suja, escondendo como se estivesse guardando um tesouro, um segredo que o resto do mundo não tinha o direito de saber. Ela tava ali, trêmula, com o cabelo úmido grudado nos omb

