A MÁSCARA DE SEDA E O PERFUME DA TRAIÇÃO. (LUNA) Peguei um táxi direto pra mansão. O asfalto aqui é liso, não tem buraco, não tem valão escorrendo. O silêncio do Leblon à noite é tão profundo que chega a me dar náusea; parece o silêncio de um cemitério de luxo. Olhei para as minhas mãos. As unhas, que antes estavam sujas de terra e sangue do galpão, agora estavam limpas, mas eu ainda sentia a carniça da Maré impregnada na minha alma. Ajeitei o vestido de linho da Estela que ironia, ele servia perfeitamente, como se meu corpo tivesse sido moldado para roubar o lugar dela. Baguncei o cabelo, puxei uns fios para o rosto e esfreguei os olhos até ficarem vermelhos. Eu não precisava de muito esforço para parecer alguém que tinha atravessado um pesadelo; as marcas roxas no meu braço, escond

