NARRAÇÃO: (PIVÔ) Eu estava sentado no meu escritório, a luz do abajur criando sombras que pareciam fantasmas nas paredes. O copo de uísque já estava no terceiro refil, e o gosto de fumaça do haxixe já não conseguia mais anestesiar o que eu sentia. O tapa que eu dei nela ainda ardia na minha mão, mas o que ela disse... aquela ladainha de "Estela"... aquilo estava batendo na minha cabeça igual a uma batida de busca e apreensão. — Teatro... é tudo teatro — murmurei, dando um gole que queimou até as entranhas. Eu ouvi batidas na porta. Uma cadência que eu conhecia. — Entra, Tiziu — mandei, a voz saindo grossa. O moleque entrou devagar, ainda meio curvado por causa do ferimento, mas com o olho brilhando. Ele não aguentava ficar parado enquanto o morro fervia. — Qual foi, chefe... — ele c

