NARRAÇÃO: DANTE Eu continuei ali, de pé, vendo o efeito do remédio baixar a poeira daquela crise que quase levou a alma da garota. O silêncio voltou a pesar no barraco, mas não era um silêncio de paz; era aquele silêncio de quem espera o bote da cobra. A Estela me olhava com o rosto inchado, os olhos castanhos ainda marejados, mas fixos em mim, buscando uma resposta que o mundo dela nunca precisou dar. — Por que vocês estão fazendo isso comigo? — ela perguntou, a voz saindo num sussurro quebrado. — Por que me trouxeram para este lugar? Por que tanto ódio por alguém que nem conhecia vocês? — Não interessa, boneca. No tempo certo, se tu ainda tiver respirando, tu vai saber o tamanho do buraco onde tu caiu — respondi, sentindo o ódio pelo Pivô queimar, mas com uma nota estranha na voz que

