O ronco da Titan cortava o vento da madrugada, mas o barulho dentro da minha cabeça era mais alto. O cheiro de baunilha da Estela ainda estava impregnado nas minhas narinas, me lembrando que eu acabei de sentenciar uma inocente ao inferno. Mas o remorso é um luxo que eu não podia carregar na garupa. O Marlon tinha me jogado no bueiro, e a única forma de eu sair da lama era fazendo o morro inteiro sangrar. Parei a moto num acostamento escuro, onde a iluminação era só o brilho das estrelas e o reflexo sujo da Baía. Tirei o celular criptografado do bolso. O visor iluminou meu rosto suado e marcado pelo ódio. Disquei o número que poucos têm a audácia de salvar. O sinal chamou duas vezes e a voz seca, carregada pelo som de baile rolando ao fundo, atendeu. — Alô? — a voz do outro lado veio fir

