Eu continuei ali, sentado no chão com as costas apoiadas na parede, observando ela se levantar devagar, parecendo uma alma em transe, flutuando entre o que ela era e o que o mundo queria que ela fosse. A Estela começou a andar pelo quarto de um lado pro outro, os pés descalços fazendo um barulho quase imperceptível no chão de madeira, a camisa branca balançando enquanto ela gesticulava com as mãos ainda sujas de tinta azul. O silêncio do quarto era tenso pra c*****o, só quebrado pelo som da respiração dela, que ainda tava pesada, errática, de quem acabou de ver a vida ser explodida. Ela parou de costas pra mim, olhando fixo pra janela que dava pro miolo da Maré, lá onde as luzes dos becos tavam começando a acender feito pontos de fogo no meio da escuridão. — Se eu quiser voltar para os m

