NARRAÇÃO: O ESTILHAÇO DA INOCÊNCIA (ESTELA) O som do cadeado batendo do lado de fora foi o último eco de humanidade que eu ouvi. Depois disso, apenas o silêncio — um silêncio pesado, sufocante, que cheirava a poeira antiga e ao mar que batia em algum lugar lá fora. Eu estava sozinha. A fita adesiva na minha boca impedia qualquer grito, mas o meu peito gritava tão alto que eu achava que as paredes desse barraco imundo iam rachar. Tentei mover meus pulsos, mas as cordas eram rudes, queimando a pele sensível que costumava ser hidratada com loções de lavanda. Cada movimento causava uma dor aguda que me lembrava de que isso não era um pesadelo do qual eu acordaria no meu quarto de teto alto e lençóis de algodão egípcio. Eu estava presa. Eu era uma mercadoria nas mãos de um homem que me olhava

