NARRAÇÃO: A DONA DO JOGO (LUNA) CAPÍTULO: O ABISMO TEM O MEU ROSTO O silêncio do galpão é diferente do silêncio da mansão. Na mansão, o silêncio cheira a baunilha e a poder; aqui, ele tem cheiro de ferrugem, mofo e do sangue que seca no meu supercílio. Sinto cada fibra do meu corpo pulsar. A dor física é real, o frio do chão de cimento atravessa a seda rasgada da minha camisola, mas se o Marlon acha que me quebrou, ele é ainda mais o****o do que eu pensava. Ele me arrastou pelos cabelos, me jogou na lama, deixou que aqueles ratos que eu chamava de soldados cuspissem na minha história. Ele acha que a humilhação é o meu fim. Pobre Marlon... ele não entende que a humilhação é apenas o combustível que eu precisava pra queimar o resto de humanidade que ainda me prendia a esse morro. Me arra

