CONTINUAÇÃO

1120 Words
PARTE III: A COLISÃO DOS REFLEXOS MANDAIS NA LINHA VERMELHA O destino, cansado da separação forçada, resolveu colidir as duas realidades em uma tarde de tempestade épica que paralisou a cidade. O céu havia desabado em tons de chumbo, transformando a Linha Vermelha em um estacionamento gigante de metal, agonia e buzinas desesperadas. Estela estava no banco de trás de seu SUV blindado, voltando de uma reunião importante. Ela estava exausta, a mente divagando sobre um novo projeto de museu, a pele tratada com cremes caros brilhando sob a luz fraca do interior do carro. O rádio tocava música clássica para abafar o barulho do mundo, mas a sensação de sufocamento era real. Ao seu lado, parou uma Hilux preta, com vidros tão escuros que pareciam absorver a pouca luz que restava do dia. Lá dentro, Luna estava em fúria. Um de seus carregamentos de cocaína pura havia sido interceptado pela polícia federal e ela estava gritando ordens pelo rádio transmissor, a voz ríspida, o rosto transfigurado pelo ódio. Ela acariciava o cabo de uma pistola banhada a ouro, sentindo o metal frio contra a palma da mão. O trânsito parou por completo, um nó impossível de desatar. Sentindo um calor súbito e uma falta de ar inexplicável, Estela baixou o vidro para tentar captar um pouco de oxigênio da chuva. Simultaneamente, Luna baixou o seu para conferir o movimento de um batedor de moto que passava pelo corredor. Foi o momento em que a realidade rachou. Por quinze segundos que pareceram eternidades congeladas, as gêmeas se encararam. Estela sentiu o sangue fugir de seu rosto, o coração martelando contra as costelas como um pássaro enjaulado; ela estava vendo a morte e a depravação usando o seu próprio rosto. Viu a cicatriz quase invisível no supercílio de Luna, viu os olhos dela que não brilhavam com luz, mas com uma escuridão ativa e maligna. Luna, por sua vez, sentiu uma repulsa imediata, uma náusea visceral. Viu em Estela a "versão patética" que a mãe havia descartado. Viu a doçura que ela considerava uma doença, o linho caro que ela considerava uma fantasia e a inocência que ela mesma havia assassinado dentro de si há muito tempo para sobreviver. Luna não se assustou. Ela sorriu. Foi um sorriso lento, predatório, que revelava dentes brancos e uma intenção de aniquilação. Ela ergueu a mão, tocou o próprio rosto em um gesto debochado e depois apontou para Estela, movendo os lábios em uma promessa silenciosa que a arquiteta não precisou ouvir para entender: "Eu vou destruir você". O trânsito andou bruscamente. A Hilux arrancou com uma violência que jogou uma onda de água barrenta sobre o SUV de Estela. A arquiteta entrou em colapso nervoso, chorando convulsivamente no banco de trás, sentindo que o seu reflexo tinha acabado de tentar arrancar sua alma através do vidro. PARTE IV: A EMBOSCADA, O SANGUE E O VÁCUO DO PODER Luna voltou para a Maré com o plano de caçar Estela, não por amor, mas para apagar a única testemunha de sua origem ou talvez usá-la como um fantoche em algum plano de fuga. Mas a crueldade extrema de Luna havia semeado inimigos demais em seu próprio quintal. Ela era odiada por aqueles que a serviam. Naquela mesma noite, o Complexo da Maré foi iluminado por explosões coordenadas. Uma traição interna, liderada por homens que Luna humilhou e cujas famílias ela destruiu por capricho, cercou seu bunker de luxo no alto do morro. O tiroteio foi uma sinfonia infernal de calibres pesados. Luna lutou como um demônio ferido, descarregando pentes de fuzil enquanto ria da agonia dos atacantes, sentindo o cheiro da pólvora como se fosse o seu perfume favorito. Mas ela foi traída pela sua própria arrogância, acreditando ser intocável. Uma granada de alto impacto atravessou a janela reforçada. A explosão destruiu as paredes de concreto, estraçalhou os móveis caros e lançou Luna para as trevas. O sangue dela — o mesmo sangue que corria nas veias de Estela — jorrou sobre o chão frio da favela. Quando a fumaça baixou, só restaram escombros fumegantes e um rastro de sangue espesso que levava até a encosta íngreme do morro. O corpo sumiu no meio do caos, dado como morto por todos. Pivô, ao ver o rastro de sangue da mulher que ele idolatrava como uma santa guerreira, transformou-se em uma fera selvagem. Ele subiu no ponto mais alto da Maré sob a chuva torrencial e deu um tiro de fuzil para o alto, um grito de dor animal que foi ouvido em todo o subúrbio carioca. Ele jurou que o Rio de Janeiro se tornaria um cemitério a céu aberto até que ele encontrasse Luna ou que cada inimigo fosse decapitado. Ele não sabia que estava chorando por uma sociopata que o usaria como escudo humano sem pestanejar; para ele, ela era a sua luz. E sem luz, ele só conhecia o ódio. Enquanto isso, na Zona Sul, Estela foi arrancada de sua cama de seda por homens encapuzados que não pediram licença nem fizeram barulho. Ela não foi sequestrada por dinheiro ou joias. — O que vocês querem? Eu dou tudo! — ela implorava, as mãos juntas em uma oração desesperada. — A gente quer o seu rosto, boneca. A Rainha da Maré caiu, mas o rei precisa de uma ilusão para não queimar a cidade toda. Você vai subir o morro agora. E é melhor aprender a ser a Luna, com toda a sujeira e a maldade dela, em menos de vinte e quatro horas. Porque se o Pivô descobrir que você é essa coisinha meiga, ele vai te rasgar ao meio antes de você conseguir pedir desculpas. O destino estava finalmente selado no sangue. Estela, a meiga, a pura, a arquiteta que não suportava o som de um grito, estava sendo arrastada para o coração das trevas. Ela teria que se sentar no trono de sangue deixado por Luna, encarar a obsessão violenta do Pivô e sobreviver a um mundo que ela nunca soube que existia. A guerra da Maré agora tinha um novo rosto o mesmo rosto de Luna, mas carregando uma alma que ainda sangrava inocência e que teria que aprender a matar para não morrer. Meninas, agora eu quero ouvir vocês 🌙🖤 O prólogo já está disponível e essa história tá só começando. Luna, Estela e Pivô ainda vão virar esse jogo de cabeça pra baixo. Me contem o que acharam, o que sentiram lendo, o que mais mexeu com vocês. Isso faz toda a diferença pra continuação. Não esqueçam de: 📌 Adicionar o livro à biblioteca 💬 Comentar no capítulo 🌙 Deixar o seu bilhete lunar Em breve vem aí uma história intensa, perigosa e cheia de reviravoltas.
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