O GOSTO DO SANGUE E O CHEIRO DA DÚVIDA NARRAÇÃO: (PIVÔ) Desci as escadas da mansão pisando firme, cada batida da bota no chão era uma tentativa de descarregar a adrenalina que ainda fazia minhas mãos tremerem. O cheiro daquela mulher aquele raio de cheiro de morango e medo parecia ter grudado na minha pele, e isso estava me deixando possuído. Não peguei a moto. Fui a pé mermo, atravessando as vielas em direção à boca principal. O morro estava acordando, o movimento dos radinhos já fervia, mas eu não via nada. Só via os olhos castanhos dela, transbordando um pavor que eu nunca vi no rosto da Luna. A Luna era uma cobra; cobras não choram daquele jeito. Cheguei na contenção e entrei direto pro quartinho dos fundos. Joguei meu fuzil na mesa, fiz uma linha rápida no mármore e dei um raio

